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Assassin's Creed: Rogue: a ordem das respostas n?o dadas
Por Marcos Candido às 15:45h - 26/11/14

Introdução

Assassin's Creed: Rogue deu a primeira impressão de ser um paliativo produzido pela Ubisoft para jogadores de PS3 e Xbox 360. Surpreendeu no meio do caminho com uma proposta de enredo interessante a fórmula naval de Black Flag. O resultado final é apresentável, embora a jogabilidade e história ainda criem um emanharado estranho de jogo.

A minha vida ? fazer o bem vencer o mal

Neste novo capítulo da série Assassin's Creed, o jogador entra na pele de Shay Patrick Cormac, ex-membro da Ordem dos Assassinos que se volta contra seus colegas e se torna um Templário. Além da personalidade forte, o protagonista acaba sendo um meio promissor de responder questões sobre aspectos do universo criado pela Ubisoft. Como são os Templários? Eles são tão horríveis assim? Rogue aborda o outro lado do tabuleiro e mostra que ambos são apenas perspectivas sobre o que é "bom" ou "mau" - esta constatação, por sinal, é o grande objetivo de Assassin's Creed: Rogue.

Sob o comando da alta patente dos Assassinos, Shay vai em busca de um antigo artefato, e acaba deixando um rastro de destruição pelo caminho. O evento é derradeiro para que o protagonista se volte contra seus antigos aliados. O tempo de transição entre um ponto e outros na vida de Shay aliás é um dos pontos acertados pela Ubisoft: a figura principal não se torna Templário do dia para a noite. A Guerra dos Sete Anos (1756 - 1763), conflito travado entre França e Grã-bretanha, fica apenas como plano de fundo. Isso não é negativo, pois abre espaço para grande foco na trajetória de Shay.

Rogue consegue condensar aspectos iniciais positivos, mas deixa pontas abertas quando seu herói migra para o lado da balança. Se o questionamento de Shay sobre lideranças e o perigo do poder surge como um ponto de apreciação no primeiro momento, fica complicado entender tamanha lealdade dada aos Templários no momento de virar a casaca. A sensação é que Shay se une aos Templários por pura falta de opção. Se antes se irritava com a forma que os Assassinos operavam, o anti-herói entra no time da oposição porque precisavam de mais um cara para fechar o time do futsal ou coisa do tipo.

Se o questionamento de Shay sobre lideran?as e o perigo do poder surge como um ponto de aprecia??o no primeiro momento, fica complicado entender tamanha lealdade concedida aos Templ?rios no momento de virar a casaca.

Falha de transmiss?o

Ao me ver morrer durante um teste rápido de Rogue, o editor-chefe Felipe Felix me chamou a atenção: "você não está jogando Assassin's Creed como se joga Assassin's Creed", disse. Talvez essa seja a grande conclusão dos problemas de navegação da série. Sem diferença com os títulos anteriores, Rogue apresenta um sistema simples para escalar e se movimentar. Paradoxalmente, a estratégia complica a comunicação com os movimentos do personagem: às vezes se pendura em um galho quando deveria apenas caminhar em frente. Em outras ocasiões o personagem não salta em uma direção indicada.

Vale ressaltar: quem já jogou qualquer game da franquia não irá se surpreender com Rogue. Afinal, o que dá a entender é que o time de Assassin's Creed criou um esquema de movimentação próprio, mas assombrados por problemas de input que tornaram-se tão característicos que podem passar batidos por quem é habituado.

Além das questões de locomação, algumas missões possuíam alvos invenciveis. Não pelo grau de dificuldade, mas por um erro que os impedia de serem assassinados com espadas, tiros, granadas ou qualquer outro meio que não fosse reiniciar o console e tentar de novo. Erros são comuns em qualquer jogo, mas aqui até algumas cutscenes pareciam problemáticas, criando ocasiões em que Shay lê uma carta invisível em suas próprias mãos.

Quem j? jogou qualquer game da franquia n?o ir? se surpreender com Rogue. Afinal, o que d? a entender ? que Assassin's Creed criou um esquema de movimenta??o pr?prio, assombrados por erros de comunica??o.

Secos e molhados

A experiência naval similiar ao de Black Flag ganha bons momentos em Rogue. Armas e óleo incandescente, assim como o uso intensivo de morteiros e o quebra gelo criam uma experiência divertida. Apesar de decisões estranhas para equipar o navio - ter dinheiro não basta, tem que ter metal, pedra e tabaco - o Morrigan e sua tripulação trazem uma dinâmica empolgante. Destruir fortes, caçar animais marinhos e destruir embarcações inimigas gigantescas são distrações peculiares. Uma dica é o investimento em morteiros, já que eles são necessárias (até demais) em combates mais importantes.

Um dos problemas ao navegar não é o barco em si, mas o mundo a sua volta. Fiz viagens rápidas sempre que possível, já que as diversas locações exploráveis e ilhas não possuem grandes atrativos. Missões secundárias, salvo exceções, também não se mostram como um grande adendo. 

Já em terra firme, não há nenhuma diferença entre o sistema de combate entre um Templário e um Assassino. Shay empunha lâminas e um estoque de interessantes armas que se mesclam aos ataques tradicionais. A integração entre equipamentos traz um aspecto divertido - infiltrar-se em zonas inimigas, abater soldados armados com dardos soníferos, atacar furtivamente inimigos distraídos e fugir com bombas de fumaça criam uma boa dinâmica. A frustração vem na caça aos antigos aliados da Ordem dos Assassinos. Se tudo dá a entender que os conflitos finais serão mais apoteóticos, as batalhas se mostram pouco criativas, diminuindo a satisfação final e dando a sensação de "Ué? Já foi?".

Conhecer uma Nova Iorque primitiva em expansão e no início de seu caos urbano, com gangues e outras forças de poder se formando, foi uma experiência agradável. Aqui, acontecem as principais conquistas econômicas e o maior número de atividades interessantes. Uma pena, porém, que outras localidades ofereçam poucos estímulos para conhecê-las mais a fundo e se tornem apenas uma porta de entrada para missões primárias.

Se comparado com o tempo entre os dois estilos de jogo, Assassin's Creed: Rogue parece uma produção anfíbia que une escaladas urbanas - obviamente, sem estruturas muito altas - e conflitos em alto mar. Isso é um ponto positivo, já que traz elementos presentes ao longo da série de uma forma balanceada.

Veredicto

Apesar de Assassin's Creed: Rogue ter tropeços inegáveis em seu enredo, o modelo compacto da história de Shay Patrick Cormac é uma das que desperta mais atenção levando em consideração os últimos jogos da série. O retorno do sistema naval também é bem-vindo, embora possa se tornar cansativo devido a falta de atrações para explorar. Em terra, o título traz os mesmos - e velhos - pontos negatvios e problemas de movimentação, com batalhas baseadas no "mais do mesmo" e chefões simplórios. Aparentemente, Assassin's Creed: Rogue se tornou uma vítima de certa pressa, solucionado perguntas interessantes com a ânsia de um aluno a beira do intervalo.

6 .5
PONTOS FORTES
  • Enredo conciso
  • Boas batalhas navais
PONTOS FRACOS
  • Mundo desinteressante
  • Falhas de movimenta??o
  • Bugs variados