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Call of Duty: Advanced Warfare: admir?vel mundo novo
Por Bruna Penilhas às 13:40h - 22/12/14

Introdução

Antes mesmo de ser anunciado, Call of Duty: Advanced Warfare já carregava nas costas a responsabilidade de suprir as falhas de seu antecessor, CoD: Ghosts. O novo game surgiu com a vontade da Activision de se destacar verdadeiramente nos consoles da nova geração, e, para isso, a desenvolvedora Sledgehammer Games não demorou em revelar que Advanced Warfare se passaria num futuro em que tecnologia era sinônimo de poder. Para aumentar as expectativas, dessa vez Call of Duty contaria não só com o já famoso exoesqueleto, mas com seu próprio garoto propaganda: Kevin Spacey, premiado ator norte-americano que entra no papel do determinado Jonathan Irons.

Numa guerra n?o t?o distante

Cansado de shooters ambientados em guerras devastadoras e enredos previsíveis? Não espere que Advanced Warfare seja diferente. A campanha single-player do jogo te coloca no papel de Jack Mitchell (Troy Baker), que durante o primeiro capítulo, é um soldado do exército norte-americano. Seguindo certos eventos trágicos - com uma pitada de drama exagerado -, Mitchell passa a integrar a equipe da Atlas, corporação paramilitar chefiada por Jonathan Irons (Kevin Spacey). Embora isso ainda não chegue nem perto da trama principal, a enrolação da introdução não é ruim. Com a ajuda de Gideon, seu novo e confiante companheiro de equipe, há tempo suficiente para preparar o terreno do que ainda está por vir. 

Em um futuro em que a tecnologia avançada dita as regras do jogo, pode-se destacar o caminho mais possível para se construir um enredo de shooter: um lado do mau, cheio de equipamentos bélicos maneiros querendo controlar o mundo da base da força, contra um lado do bem, que embora também tenha equipamentos maneiros que representam um potencial risco para a humanidade, defende a paz. Advanced Warfare, por incrível que pareça, conseguiu fugir um pouco desse trajeto. Não demora muito para o primeiro vilão do jogo aparecer: Hades, líder de um grupo terrorista chamado KVA, é o cara que detesta tecnologia e acredita que todos os humanos não podem ser salvos deste "mal" futurista. Se a Activision não tivesse revelado antes do lançamento do game que Kevin Spacey seria o grande vilão da parada, o enredo de Advanced Warfare seria muito menos previsível. Embora a guerra inicial seja entre Irons e Hades, é um pouco difícil você não olhar para o seu chefe e se perguntar algo como 'quando é que ele vai ferrar a porr* toda?'.

De forma geral, a trama do jogo consegue caminhar satisfatoriamente durante seus quinze capítulos. A reviravolta entre a troca de antagonistas é rápida, mas cada personagem tem seu começo e fim bem explicados - embora que com alguns momentos bem clichês. Só reclamo do final, que, por incrível que pareça, conseguiu ser pior que Ghosts (neste, pelo menos, houve uma pitadinha de surpresa).

Se a Activision n?o tivesse revelado antes do lan?amento do game que Kevin Spacey seria o grande vil?o da parada, o enredo de Advanced Warfare seria muito menos previs?vel.

Underwood x Irons

Antes de mais nada, antecipo ao leitor: neste bloco estenderei minha análise sobre a atuação de Kevin Spacey no game. Portanto, caso você esteja mais interessado no grosso dos fatos (multiplayer/armas), sugiro que passe para o próximo bloco.

Nos últimos dois anos, a carreira de Kevin Spacey (que, claro, já era respeitável há um bom tempo), deu uma mega guinada com a chegada de "House of Cards", seriado em que o ator vive o protagonista Frank Underwood, um político norte-americano tão ambicioso e confiante de si mesmo quanto Jonathan Irons. Me atrevo a dizer que se não fosse pelo grande público que a série conquistou, Spacey nem chegaria perto de Advanced Warfare. Bem, a questão é que estes dois personagens interpretados por ele são peculiarmente parecidos, e não estou me referindo a aparência física. Até pouco mais que a metade do jogo, tive a sensação de estar vendo o protagonista de "House of Cars" - e não é porque ambos personagens usam ternos caros.  Durante a campanha de CoD, Irons elabora um punhado de diálogos gananciosos, transbordando moral, e sempre para construir um discurso aparentemente impactante. Underwood faz exatamente a mesma coisa, faz de tudo para soar amigável e ameaçador ao mesmo tempo.

Embora o caráter persuasivo dos dois personagens seja praticamente o mesmo, o modo de agir é quase que oposto. Enquanto cada passo de Underwood dentro da Casa Branca é extremamente calculado, as atitudes de Irons respondem ao seu desejo irracional de estabelecer controle mundial. Compreendo que são histórias diferentes, mas a vontade de conquistar o poder é a mesma para os dois personagens. Underwood é sútil em seus movimentos, ao mesmo tempo em que não se arrepende do que faz e não hesita quando algo ruim precisa ser feito - desde que seja ao seu favor. Até determinado ponto do jogo, Irons demonstra uma posição parecida. Mas ao virar antagonista, toma decisões sem sentido - na verdade, todo rumo da campanha nesse ponto já havia perdido o sentido. O cara estava no controle da maior corporação do mundo, mas decidiu dar o famoso passo maior que a própria perna, e não há nenhuma explicação muito convincente do porquê ele decidiu tacar a merd* no ventilador.

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Brinquedos do futuro

Com uma guerra futurística, era de se esperar que equipamentos mais sofisticados entrassem na franquia Call of Duty. Em Advanced Warfare, o astro da vez é o exoesqueleto. O bonitão, além de oferecer mais força para quem o usa, permite que você faça movimentos rápidos (como rasteiras), e potencializa o seu salto com a ajuda de um jetpack. Entre as habilidades disponíveis para uso, o jogador ainda pode usar o exoesqueleto para ativar um escudo temporário ou se tornar invisível por um curto período de tempo.

A verdade é que cada nova funcionalidade consegue mudar a maneira como você pode abordar seus adversários. Em todos os modos do multiplayer, sua utilidade impactou consideravelmente o comportamento e estratégia dos jogadores numa partida. Fiquei tão acostumada com ele, que quando voltei a jogar o multiplayer de Ghosts ou Battlefield 3, tentei ativar o "super pulo" involuntariamente. Isso foi o suficiente pra perceber que Advanced Warfare conseguiu, pelo menos por enquanto, trazer uma verdadeira renovação para a nova geração de shooters.

Por outro lado, a tecnologia aparece sutilmente no arsenal do game. Além de granadas que detectam os inimigos que estiverem perto de você, o jogo traz uma nova arma: a EPM3, capaz de disparar raios de plasma, que funciona na base da energia direcionada. Embora ela exclua o uso de balas, não é nada letal quanto parece. Além de demorar para derrubar os inimigos, a EPM3 se sobreaquece após um breve período de uso, tornando-a inútil em um jogo que basicamente requer agilidade e boa pontaria. Tirando isso, os jogadores vão encontrar algumas miras mais potentes, e nada mais. Já visualmente, a principal diferença surge no painel de número de balas/cartuchos e granadas. As informações agora são projetadas em um visor em cima das próprias armas, e não mais no canto inferior direito da tela. Isso não afeta em nada na jogabilidade, e apenas representa uma tentativa de deixar seu arsenal com o tal aspecto futurista. 

Talvez, os f?s mais fi?is de CoD n?o simpatizem com toda essa tecnologia avan?ada. A verdade ? que cada nova funcionalidade consegue mudar a maneira como voc? pode abordar seus advers?rios.

Multiplayer e cooperativo

A variedade de modos multiplayer ainda é uma característica notável em Advanced Warfare, bem como a ausência de jogadores em alguns deles. Os mais populares, como Mata-Mata em Equipe, Capture a Bandeira e Morte Confirmada, continuam recheados de participantes. Enquanto não há muito o que se fazer sobre as modalidades despovoadas, há um problema que ainda parece perturbar os jogadores do shooter. As partidas online ainda são peer-to-peer, e dependem dos servidores de seus respectivos hosts. Ou seja, não importa o quão cara e potente seja sua conexão com a internet, se a do host da sua partida for ruim, toda rodada pode ser comprometida. 

Na seleção de customização de armas e habilidades, temos o retorno do sistema Pick 10. Mas como o exoesqueleto por si só já carrega um leque de funcionalidades, Advanced Warfare oferece 13 slots para você preencher com miras, perks, melhorias e várias outras coisas. Outro aspecto significativo é o meio em que o jogador conquista as Ordens de Campo. Substituindo o killstreaks, o scorestreak é o que define se o jogador ganhará ou não habilidades bônus. Para os iniciantes, isso facilita a conquista da primeira ordem, pelo menos. Já para os mais experientes, talvez não seja uma mudança impactante.

O game oferece a opção de personalizar o seu personagem. Entre soldados femininos e masculinos, você pode escolher capacete, luvas, botas, exo e até óculos, tudo isso sem afetar as habilidades dos combatentes. Durante seu progresso no multiplayer, será possível ganhar um punhado de itens exclusivos e bonitos para vestir seu personagem. O problema é que todos são temporários, e eu não entendo o porquê não deixá-los permanente. Quanto aos mapas, há um ponto negativo e outro positivo que definem sua influência no jogo. Em muitos deles, tive a sensação de estar perdida em alguns momentos pela falta de pontos de referência. Ao mesmo tempo, eles casam bem com a verticalidade que o exoesqueleto oferece. Sem esse cuidado, de nada serviria o novo equipamento.  

Não há muito o que falar sobre o Exo Survival, modo cooperativo de Advanced Warfare. Online ou local, você e seus companheiros devem enfrentar ondas de inimigos e completar tarefas paralelas, tudo ao mesmo tempo. Embora não demore muito para o nível de dificuldade apertar, é um modo que após algumas rodadas, se torna cansativo.

Enquanto n?o h? muito o que se fazer sobre as modalidades despovoadas, h? um problema que ainda parece perturbar os jogadores do shooter: as partidas online ainda dependem dos servidores de seus respectivos hosts.

Veredicto

Call of Duty: Advanced Warfare pode não ser o título mais revolucionário da série, mas sem dúvidas quebrou a fórmula constante e compensou o terrível Ghosts. Sua campanha, mesmo que previsível, mostra uma guerra futurista que talvez não esteja tão distante de nós. Esse leve desvio da cansativa e clichê ficção científica, junto com o bom trabalho nos personagens, é o que salva a história do jogo.

Diferente do que alguns podem pensar, Advanced Warfare não é nada parecido com Titanfall. Os princípios do jogo permanecem o mesmo, com a ressalva do exoesqueleto, que conseguiu mexer na base da franquia sem modificar sua identidade. Ao lado dos gráficos extraordinários, cada nova funcionalidade torna Advanced Warfare o primeiro Call of Duty digno de um shooter de nova geração.

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8
PONTOS FORTES
  • Personagens bem constru?dos
  • Visual condiz com a nova gera??o
  • Exoesqueleto funciona bem
  • Mapas do multiplayer casam com as novas habilidades
PONTOS FRACOS
  • Campanha parcialmente previs?vel
  • Itens tempor?rios no multiplayer
  • Cooperativo cansativo