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Clube da luta: a paix?o por Super Smash Bros.
Por Bruna Penilhas às 09:30h - 24/07/14

Introdução

O amor de muitos jogadores por Super Smash Bros. é de longa data. Seja gerando sentimentos de amor ou competitividade, mesmo por aqui esta franquia de 15 anos continua estimulando reuniões entre amigos, até torneios regionais. Em antecipação ao lançamento dos futuros jogos da série, o Selecter foi a campo entender o que move jogadores brasileiros envolvidos com o jogo, e o que alimenta mais de uma década de paixão.

Gosto e competitividade

Anderson Minoru, 23, descobriu Super Smash em 2001, ainda na versão original do Nintendo 64. Com 10 anos, ele e seus colegas de escola se reuniam, quase que obrigatoriamente, durante todas as sextas-feiras para jogar algumas partidas do game. "Gostei muito da ideia de reunir personagens da Nintendo em um jogo de luta - e quando joguei pela primeira vez, foi fascinante", comenta. Mas para Anderson, participar de torneios de SSB despertou mais do que sentimentos. O jogador atualmente participa de campeonatos do jogo, o que trouxe muita alegria a sua vida. "A partir de 2006, fiz parte de muitos torneios, e isso foi algo muito bom que aconteceu na minha vida. Pude conhecer grandes companheiros que gostam do jogo tanto quanto eu."

Além de integrar o 1upsmash, fórum voltado para a comunidade de Super Smash, Anderson também organiza o Friday Night Farofa, um corujão que acontece todas as sextas-feiras em uma lan house em São Paulo. Embora o encontro reúna títulos mais tradicionais do gênero de luta, como Ultimate Marvel vs. Capcom 3, Ultra Street Fighter IV e The King of Fighters XIII, os participantes geralmente reservam um espaço para Smash. E mesmo no meio da competição, é o espírito de camaradagem que atrai Anderson. Na pele de Kirby e Ness, no 64, Sheik, no Meele, e ROB no Brawl, ele conta que além dos torneios, o que o motiva continuar jogando Super Smash Bros. é o fato de poder disputar partidas mensais com seus amigos.

Já Marcus Vinicius Carmargo, 25, joga a série há 11 anos. O jogador conta que seu primeiro contato com o game também foi no Nintendo 64, e gostava de jogar no papel de Link, Donkey Kong e Kirby. Ele organiza campeonatos de Super Smash Bros. desde de 2007, e pelo menos uma vez ao mês, se reúne com seus amigos para uma noite de partidas. Assim como com Anderson, o game influenciou seus relacionamentos sociais de forma bem direta. Ele descreve que, além de lhe "proporcionar uma comunidade ativa e bem unida", jogar Super Smash Bros. trouxe-lhe "uma nova família". O jogador diz saber diferenciar bem quando uma batalha deve ser puramente competitiva ou divertida. Para ele, a comunidade e o espírito competitivo são os dois fatores mais motivadores do game. "Sempre é emocionante participar com a galera nos campeonatos, torcer, comentar e fazer streaming. Sempre que posso, tento movimentar o e-sport em São Paulo através do Smash." Marcus também é dono e administrador do 1upsmash.

" Gostei muito da ideia de reunir personagens da Nintendo em um jogo de luta - e quando joguei pela primeira vez, foi fascinante."

Unidos venceremos

Super Smash Bros. não para apenas em comunidades. Desde 2012, a empresa carioca GF Corp. organiza a Liga GF, evento anual que promove torneios de jogos de luta no Rio de Janeiro. Na edição deste ano, que acontece em 26 de julho que reunirá cyber-atletas de 10 estados do Brasil, o campeonato conta com partidas de Super Smash Bros. Melee, Ultimate Marvel vs. Capcom 3, Ultra Street Fighter IV e The King of Fighters XIII. Para montar a programação, a organização decidiu apostar no voto popular. Os jogadores tiveram a oportunidade de votar em quais games gostariam de ver no evento. Segundo Márcio Matheus, diretor comercial da Liga GF, o jogo da Nintendo recebeu 56 votos, do total de 434. O diretor acrescenta que, em relação ao ano passado, houve um aumento de 15% na quantidade de competidores que buscaram participar do torneio de Smash.

Para Márcio, Super Smash Bros. está ganhando força entre os jogadores. Ele acredita que, embora 2013 tenha sido um ano "morno" para o game, Smash voltou em 2014, tanto no Brasil quanto em outros países do mundo. "Temos visto a comunidade se organizando e participando com entusiasmo, aparecendo em grande número em fóruns e nos cadastros da próxima edição da Liga GF", afirma o diretor. Questionado sobre o debate que gira em torno de Super Smash Bros. ser ou não um jogo de luta, Márcio conclui que isso "nada mais é do que uma polêmica". "O fato de não ter uma barra de vida e sangue na tela não justifica tratá-lo como se não fosse um jogo de luta."

Em relação a comunidade internacional, o jogador Anderson comenta que a volta do Melee na EVO em 2013, maior torneio anual do gênero, foi "uma grande conquista para a comunidade". Assim como o torneio carioca, a gigante também procurou o público para ajudar a decidir o que estaria na próxima edição. Melee acabou ficando no segundo lugar da enquete. Em seguida, a equipe prometeu que o game com maior arrecadação financeira entraria na line-up da EVO, o que movimentou a comunidade mundial de Smash - que, por sinal, estava sem ver o título no torneio desde 2007. Segundo Anderson, os jogadores conseguiram juntar US$ 94 mil, fazendo com que o jogo retornasse para a competição. "O grande mérito disso foi que o Melee dependeu só da comunidade gamer, enquanto outros jogos contaram com o apoio de produtores e patrocínios", finaliza. 

"O fato de n?o ter uma barra de vida e sangue na tela n?o justifica trat?-lo como se n?o fosse um jogo de luta", comenta M?rcio Matheus, diretor da Liga GF.

Minhas sinceras desculpas

A movimentação chamou atenção dos criadores do jogo, mas não foi adotado pela Nintendo sem um episódio complicado. O torneio de Melee que aconteceria na EVO 2013 contaria com uma transmissão ao vivo na Internet. No entanto, a japonesa decidiu proibir o streaming das partidas dias antes do inicio da competição. Poucas horas após o anuncio, entretanto, a organização do evento informou que a Nintendo voltou atrás da sua decisão, provavelmente por conta da reação negativa dos fãs sobre a situação.

A iniciativa foi o começo de uma mudança importante na empresa. Em junho, durante a E3 2014, a Nintendo realizou o Invitational, primeiro torneio oficial de Super Smash Bros. para Wii U. O evento, que contou com a presença de cerca de 3 mil fãs, selecionou os 16 melhores e mais conhecidos jogadores da comunidade do game. Com direito a narração animada, eles disputaram entre si o título de primeiro campeão do vindouro título. Depois de longas e agitadas partidas, a final foi disputada por Juan "Crs. Hungrybox" Debiedma, na pele do Kirby, e Gonzalo "CT ZeRo" Barriors, como Zero Suit Samus. O troféu acabou sendo conquistado por Gonzalo, que recebeu o prêmio direto das mãos de Reggie Fils-Aime, presidente da Nintendo of America.

Percebendo que os torneios são de grande importância para a comunidade de Super Smash Bros., a Nintendo resolveu entrar como uma das principais patrocinadoras da edição de EVO deste ano.

O último Super Smash Bros. lançado foi o Brawl, para Wii, em 2008. Sim, faz tempo, mas o retorno da franquia já está garantido para este ano. O novo game chega no segundo semestre, para Wii U e 3DS, trazendo desde personagens inéditos, como o Little Mac e Pac-Man, até a nova aposta tecnológica da Nintendo: o Amiibo. 2014 está trazendo boas novidades para os jogadores de Super Smash Bros. Não se trata sobre ele ser ou não um game de luta, mas sim como ele cria comunidades e junta jogadores ao redor de um interesse comum.

Percebendo que os torneios do EVO s?o de grande import?ncia para a comunidade de Super Smash Bros., a Nintendo resolveu entrar como uma das principais patrocinadoras da edi??o deste ano.