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Guilty Gear Xrd Sign: Blietzkrieg
Por Leonardo Teixeira às 17:17h - 23/12/14

Introdução

Guilty Gear, o bizarro jogo de luta técnico da japonesa Arc Systems, está de volta ao ocidente com Xrd Sign, e depois de oito anos, bem, já estava na hora. A sequência traz consigo muito do clássico XX Accent Core, de 2002. Mas, com uma ou outra mudança e um claro esforço em atualizar o jogo de forma tanto visual quanto mecânica, este parece o lançamento mais empolgante da Arc Systems desde BlazBlue. E, no geral, ele está longe de desapontar.

Beautiful stranger

A primeira coisa que salta aos olhos é como este novo projeto da Arc Systems é visualmente impactante. A equipe optou por usar modelos tridimensionais dinâmicos pela primeira vez, que são embrulhados em filtros de alta resolução e sobrepostos a sombras escuras que criam a impressão de se estar vendo um desenho, e não um personagem 3D. O resultado é um estilo afiado e dinâmico, que aposta em cores fortes, efeitos extravagantes e, pela primeira vez na série, ângulos de câmera diversos. Há um interessante doc em imagens detrás das cortinas do game no 4Gamer que vale a visita.

E a própria Arc Systems parece estar perdidamente apaixonada com o resultado: animações de vitória agora são complexas e cheias de personalidade (o trunfo, afinal, da série Guilty Gear), e o cuidado em apresentar algo novo para cada um dos personagens é algo digno de aplausos. Cada um tem cutscenes distintas durante o modo Arcade que usam e abusam de closes, variedade e, claro, o humor deliciosamente esquisito da franquia. Há até um pequeno seriado incluso no pacote, que apresenta o enredo de Xrd através de cenas próprias e um bocado de diálogo. Pode ser uma adição estranha se você prefere partir para a ação, e parte da história compete com o que acontece com Sol Badguy e Ky Kiske em suas respectivas jornadas no Arcade, então é, nem tudo é perfeito.

Este também é o primeiro Guilty Gear completamente localizado para o inglês, e o resultado é mediano. Há destaques, como o barítono improvável de Sol, o estilo galanteador da voz do vampiro Slayer e o novo sotaque cockney do Axl Low, mas muito do áudio é gravado em volume baixo e boa parte dos atores parece perdida ou, pior, brutalmente entediada. O jogo traz a opção de escolher entre o novo trabalho de dublagem e o original, então pelo menos há volta. 

Pisando na arena

Como já disse acima, Xrd carrega muito do DNA do velho XX Accent Core, o que significa um jogo que traz muito da complexidade já tradicional de BlazBlue, mas parece levar consigo um quê mais acessível. Há, como já é de se esperar, um bocado de opções defensivas: além do clássico "segurar para trás", há dois meios distintos de impedir um combo inimigo (Gold Psych e Blue Psych Burst) e nada menos que quatro defesas especiais (Dead Angle Attack, Instant Block, Fautless Defense e Blitz Shield).

Pode soar muita coisa para se aprender (e é!), assim como sugerir um jogo de luta mais compassado, mas a verdade é que Guilty Gear continua montado para combates velozes, ofensivas explosivas, planos mirabolantes e um enfoque renovado em combate aéreo. Há até um sistema renovado para emendar combos, o revisado Roman Cancel, que também traz efeitos diversos para certos golpes. Abusar das variadas maneiras de se defender pode não apenas te colocar em apostas perigosas e eliminar sua barra de Tension (usada para cancels e combate e especiais) e Burst (responsável pelo sempre bem-vindo golpe one-hit kill), como também trazer penalidades pensadas para forçar combatentes a ficarem um na jugular do outro.

A base sólida é enriquecida com 17 lutadores variados (um destravável, outro que chegará como download grátis), que trazem um sem número de táticas e responsbilidades para a mesa. Potemkin é o tanker, de baixíssima mobilidade, mas golpes poderosos de curta e média distância, Venom é mestre em armadilhas, e há até ideias malucas, como o caso do Sin, cujo apetite exige do jogador cautela para não gastar mais energia do que há em seu estômago. Embora a variedade se mantenha muito bem, obrigado, é preciso dizer que este é o rol mais esteticamente seguro da série: os novos personagens selecionáveis parecem saídos de um anime medíocre se comparado à lista de outros jogos. Pô, sabe? cadê a criatividade inconsequente que nos presenteou com gente como o Zappa?

 

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Pedra sobre pedra

Quanto a seleção mais tradicional de atividades, Guilty Gear: Xrd é um jogo muito bem servido. Na mesa você tem, além do modo história e do bom e velho versus e Arcade, uma série de quatro tutoriais distintos, um sistema online muito bem arquitetado e galerias de artes, vídeos e personagens secretos - tudo comprável através de créditos ganhos em batalhas tanto offline quanto na rede. Há até itens de customização, liberados em arenas especiais.

Vamos começar com como o jogo te ensina os básicos, pois Xrd faz um trabalho brilhante no nível do inteligentíssimo Skullgirls. Opções mais básicas, como um Tutorial geral, um modo livre em que você pode testar ataques e combos e uma série de desafios feitos para ensinar ao jogador as combinações e capacidades de cada lutador estão presentes, mas há um quarto modo - o Mission - que prepara jogadores para desarmar situações que podem ocorrer na hora do vamos ver: há missões que apresentam conceitos como Zoning, Overheads, Hitboxes e, claro, como garantir inputs precisos. É uma saída valiosa até para quem não entendeu lhofas da frase anterior! Pode ser um pouco pragmático demais para iniciantes, e, sim, há ainda o gap entre sair versado do Practice e encarar competidores reais, mas hey, é raro ver um trabalho de tutela tão bom em um jogo de luta.

Já a modalidade online não deixa de lado as qualidades conquistadas por gerações de jogos de luta: você pode se unir a outros jogadores em lobbys ranquados ou não, divididos como se fosse um fliperama de verdade (você entra na sala, escolhe uma "máquina" para se "sentar" e assiste ou participa do embate); replays são salvos automaticamente e contêm opções como tirar elementos da tela (útil se você usa muito o botão Share do PS4 e ama o visual do jogo) ou mesmo que botões cada participante apertou momento a momento. Finalmente, é fácil saber como anda a qualidade da conexão entre participantes e quantos frames caem durante a partida. Em nossa experiência no PS4, conseguimos confrontos justos e consistentes, embora seja preciso escolher bem que servidor acessar (North America - Southern Atlantic foi nossa opção). O único porém é que o jogo não explica bem como mudar seu personagem, e a interface é um tanto poluida de informação.

Em resumo: o time fez um trabalho primoroso em atualizar o bom e velho Guilty Gear para o exigente nicho de fighting game, e há opções que vão capturar tanto gente que está jogando seu primeiro jogo de luta quanto veteranos atrás de novos desafios.

Veredicto

A Arc Systems sabe muito bem como fazer jogos de luta, mas também sabe muito sobre animes. É engraçado. O visual puxado para o desenho é apenas um pedaço da experiência, já que toda luta lembra as extravagâncias de um seriado de ação japonês, cada golpe é um misto de ossos, músculos e energia fosforescente daqueles que nos faziam vibrar na frente da TV quando crianças, capturadas pela exuberância de animes como Dragon Ball Z e Yu Yu Hakusho. E é tudo tão divertido e descompromissado que este é o único jogo de luta que me lembro ter jogado para aliviar o stress do dia.

Falar assim de elementos estéticos pode soar bobagem, mas é muito do que faz Xrd especial. O sistema bem acabado de combate e a infraestrutura online surpreendentemente sólida só tem a ganhar com essa estranha sensação de que a cada momento, a todo segundo, estou prestes a "fazer puro rock n' roll, baby!" É algo que ajuda a prender jogadores a este game tão técnico, e a encorajá-los a aprender um pouco mais de seus personagens favoritos. É o que transforma este belo rockstar em mais uma lenda viva. Guilty Gear: Xrd, meus amigos, é um baita de um espetáculo!

9
PONTOS FORTES
  • Estilo embasbacante
  • Jogabilidade hiperativa, mas convidativa
  • Tutorial bem completo
  • Suite online consistente
PONTOS FRACOS
  • Modo Story ? uma adi??o esquisita
  • Dublagem mediana
  • Interface online bagun?ada