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An?lise: Kabum e o Mundial de League of Legends
An?lise: Kabum e o Mundial de League of Legends
Por Felipe Santana Felix às 15:50h - 06/10/14

Introdução

O mundial de League of Legends continua, porém a participação da Kabum e-sports, representante do Brasil e América Latina, chegou ao fim logo na etapa de grupos. Com seis jogos feitos e apenas uma vitória, a equipe conseguiu surpreender grande parte dos comentaristas estrangeiros, que não acreditavam em nenhuma vitória das equipes vindas do Wild Card e que também não sabiam ao certo em qual nível representantes da região brasileira se encontravam.

Com isso em mente, o que pretendemos é fazer um raio X da participação da Kabum no mundial, partindo não do primeiro jogo da competição, mas sim de onde tudo começou: saindo da Regional Brasileira, passando brevemente pelo International Wild Card e, por fim, chegando à segunda metade da disputa de grupos no mundial - etapa em que a Kabum fez dois bons jogos e, por fim, conquistou uma vitória sobre a equipe campeã da Europa, a Alliance.

A vit?ria do conjunto

Em outro artigo já haviamos mencionado como a vinda dos jogadores coreanos fez muito bem ao cenário brasileiro. E neste ano a equipe que melhor aproveitou a presença destes jogadores por aqui foi a Kabum. Depois de amargar terceiras e quartas posições durante todo ano, a Kabum melhorou seu jogo aos trancos e barrancos, e, com a adição do jogador Gustavo "Minerva", a equipe ganhou não só um magnifico atirador, com otambém - e tão importante quanto - um espírito diferente.

Nas semifinais do CBLoL, a Kabum era a grande desacreditada. Posição por posição, muitos fãs da modalidade acreditavam que todos os cyber-atletas da Keyd Stars eram superiores aos da Kabum e-sport. Entretanto, como foi muito bem provado, uma equipe não é definida apenas por seus talendos individuais.

Em jogos coletivos, a sinergia entre os jogadores é uma das principais armas para a vitória, e é justamente esse elemento que a Kabum possui mais que todas as demais equipes em nossa região. A sobreposição do talento individual no desempenho do coletivo é algo visível de maneira natural nas filas ranqueadas. A frase "perdi, mas ganhei a lane" é frequentemente utilizada por aqui e serve de consolo para grande parte dos jogadores. Talvez isso seja uma péssima herança da cultura futebolistica brasileira, mas isso é papo para outro texto.

Voltando à semifinal entre Kabum e Keyd. O que vimos no primeiro jogo foi uma estratégia inteligente da Kabum, que agiu como um bloco desde o ínicio, invertendo rotas e movimentando suporte, caçador e o jogador da rota superior. Com isso eles anularam o na época principal jogador da Keyd, o caçador "W1nged", que não encaixou nenhum de seus fortes ganks no ínicio do game. "Minerva" e "Tin" não passaram por problemas e tinham mais ouro de minions que seus oponentes já aos 18 minutos, quando a Kabum ganhou a primeira luta de grupos do jogo e fez seu primeiro dragão na partida.

Neste jogo a Kabum tinha tantos recursos defensivos para proteger o Kogmaw do "Minerva" que a Keyd, mesmo a frente em todo o jogo, não conseguia fazer muita coisa. A Kabum com certeza tinha uma melhor composição, e a estratégia de proteção ao Kog caiu como uma luva dentro do estilo coletivo do grupo. A equipe ganhou o primeiro jogo e com a mesma estratégia, o segundo. A disputa os deixou em uma posição clara: a Kabum foi uma equipe coletivamente mais forte que a Keyd e mais potente que a CNB.

Ainda vejo muitos fãs comentando que a Kabum é o terceiro time brasileiro, atrás de Keyd e Pain, mas não há o que comentar contra os fatos. Em 2014, com seus altos e baixos, a Kabum e-sports não se abalou psicologicamente, foi a equipe campeã do CBLoL e, atualmente, é o melhor time brasileiro.

Em 2014, com seus altos e baixos, a Kabum e-sports n?o se abalou psicologicamente, foi a equipe campe? do CBLoL e, atualmente, ? o melhor time brasileiro.

A dura vida de um protagonista

Devido ao histórico dos confrontos entre times brasileiros e equipes da América Latina, a Kabum era a favorita, com direito a passeio por cima da equipe da PEX. Sim, a equipe brasileira ganhou por três a zero a disputa do Wild Card, mas a primeira partida foi tensa. Como campeã brasileira, se esperava uma composição mais agressiva da Kabum, mas a equipe escolheu Alistar, Khazix, Oriana, Tristana e Morgana. Uma clara formação criada para proteger o atirador "Minerva" e terminar a partida nas etapas finais. Com isso, a equipe ficou todo jogo atrás da PEX, obtendo a vitória apenas aos 55 minutos em uma luta para destruir a última torre da rota inferior. Foi frustrante. A partida foi idêntica ao também primeiro game contra a Keyd: a Kabum e-Sports ficou atrás em ouro e abates por todo o game antes de obter a vitória.

A equipe nacional ganhou os outros dois games, com mais autoridade, mas nestes três jogos ficou claro que o time da Kabum funciona muito melhor quando precisa responder às ações dos adversários. Para todos os efeitos, ele não sabe ser protagonista. Os jogos contra a PEX mostraram que a equipe tem uma fase de rotas de alto nível e boas lutas em grupo, mas não sabe tomar decisões contundentes de forma rápida. Foi dessa forma que a Kabum foi ao mudial.

Com estes tr?s jogos ficou claro que o time da Kabum funciona muito melhor quando precisa responder ?s a??es dos advers?rios. Ele n?o sabe ser protagonista.

Mundial: de volta ? zona de conforto

Antes da Kabum embarcar em Singapura, onde disputou a etapa de grupos do mundial, fomos à gaming house da equipe conversar sobre o embate. Na ocasião, todos me pareceram bem tranquilos e, tirando a presença das câmeras, senti um certo conforto dos jogadores ao comentarem sobre sua participação na etapa. O que eu vi naquele momento não era a Kabum que fãs do e-Sport queriam ver contra a PEX. Não. O que vi era a Kabum que surpreendeu contra a Keyd. Me pareceu que a equipe se sente mais confortável na posição de "underdog", de zebra, e isso poderia significar mais surpresas no mundial. Naquele dia, voltando de Limeira, eu cogitei uma vitória da Kabum sobre a Cloud 9, o oponente menos sólido do grupo.

O mundial teve ínicio e a primeira disputa foi contra a equipe sul-coreana Najin Sword. Derrota em 26 minutos. O segundo, contra a norte americana Cloud 9? Derrota em 32 minutos. O terceiro contra a européia Alliance: derrota aos 36 minutos. Três confrontos em que o time da Kabum não mostrou nenhum tipo de resistência e tomou decisões contestáveis, principalmente na rota superior.

Nestes três primeiros jogos a desvantagem da Kabum começou cedo, sempre por volta dos 12 minutos. Contra a Najin o bot estava perdido e o suporte "Gorilla" começou a andar pelo mapa, pegando os jogadores do Brasil desprevinidos. Aos 12 minutos o jogo desandou. Contra a Cloud 9 a equipe não soube se portar contra uma inversão de rotas, teve um Dragão roubado e, aos 13 minutos, o jogo saiu de controle. Contra a Alliance, aos 12 minutos de jogo, a diferença em ouro era de 1.700 e a equipe européia ja tinha 4 abates, contra nenhum da Kabum. E foi assim, após estas três contundentes derrotas que vimos o que a atual formação da Kabum tem de melhor: poder de adaptação. Entendendo de forma mais inteligente a rotação de cada um dos oponentes a equipe brasileira fez um bom jogos de volta contra Najin, roubando o primeiro dragão e fazendo boas lutas de grupo.

No último dia a equipe foi a mais inteligente do grupo em suas estratégias de banimentos.  Contra a C9, tirou Zed, principal campeão do jogador "Hai", e Rumble, principal personagens do jogador "Balls". Infelizmente a equipe perdeu por não conseguir agir de forma ativa, forçando jogadas. Nesse game a Kabum ainda mantinha seu perfil passivo, de responder a ataques e não o de atacar.

Contra a Alliance a postura da equipe mudou totalmente, e talvez a confiança exagerada da equipe europeia tenha jogado a favor da Kabum. Na etapa de banimento o time brasileiro foi inteligentemente óbvio, banindo a guerreira Irelia e o monge Lee Sin. A guerreira estava sendo a grande escolha do jogador, "Wickd", aparecendo quatro das seis vezes em que a Alliance jogou. O monge é o principal campeão do caçador europeu "Shooks" e seu banimento devia ter ocorrido já no primeiro game entre as equipes. Com isso feito, "Tin" ainda tirou a assassina da rota central - Ahri - das mãos de "Froggen".

Com um bom inicio de partida, a Kabum conseguiu o primeiro abate na Kayle de "Wicked", que não conseguiu uma vitória com a campeã. E o game prosseguiu com a Kabum no controle da partida, fazendo jogadas, tomando decissões e, assim, colocando a Alliance contra a parede em um estado de choque mental. Os campeões europeus não sabiam como agir e, aos poucos, "Froggen", o capitão da equipe e seu principal jogador, começou a cometer erros grotescos. Daí, não demorou para a Kabum dominar o jogo e, aos quase 39 minutos, sair com sua primeira vitíoria do mundial, no último jogo. Foi até bem histórico: esta também foi a primeira conquista de um time do International Wild Card na competição.

Balan?o Geral

No geral a participação brasileira foi além do esperado. Não muito, mas um pouco. Avaliando todos os grupos por nível e buscando um que tenha boa similaridade com o qual a Kabum estava, posso apontar o grupo B com, TSM, StarHorn, SK e TPA como o equivalente ao grupo D com Kabum, Najin White Shield, Alliance e Cloud 9. Em um comparativo time a time posso afirmar, com certeza, que o grupo da Kabum não é só equiparável ao grupo B, como possívelmente mais difícil.

Avaliando time por time: considerando Cloud 9 versus TSM, os dois americanos são equivalentes e, no momento, não é possível apontar qual seja o melhor. No caso da Alliance, campeã europeia, versus SK Gaming, terceiro lugar europeu, a Alliance é melhor. E por fim, a terceira colocada sul-coreana, Najin White Shield, contra a segunda chinesa, StarHorn Royal Club, ambos tiveram bom desempenho nos grupos. Com isso em mente e sabendo que o resultado obtido pela Kabum, em números gerais, foi o mesmo conquistado pela campeã da Season 2, Taipei Assassins, posso dizer que nossa equipe se deu melhor contra adversários superiores.

Me arriscando um pouco mais, aponto: caso a Kabum estivesse presente no grupo A, com Dark Passage, AHQ, Edward Gaming e Samsumb White, o resultado de nossa equipe poderia ser similar ao da AHQ, com duas vitórias sobre a Dark Passage e uma possível surpresa contra a chinesa Edward Gaming. Não estou levando em consideração aqui um confronto direto, apenas os adversários em cada um dos grupos.

Isso nos leva a um ponto: o desempenho da Kabum no mundial foi extremamente próximo ao dos times de Taiwan. Isso não sugere que o Brasil se encontra na mesma situação, ou nível, destas equipes, mas indica que nosso atual nível competitivo é similar ao da região asiática em questão. É claro que Taiwan possui um posicionamento melhor em relação a treino - as equipes do país podem treinar com chineses e coreanos, por isso conseguiram evoluir mais rápido que nosso cenário a ponto de terem ganhado o mundial em 2012 com a TPA.

De forma geral, o desempenho da Kabum deixa os inteligentes orgulhosos e mostra sem sombra de dúvidas que o Brasil está um nível acima das equipes que disputam o International Wild Card e pouco, mas bem pouco, abaixo de Taiwan. O que nos falta para atingir o próximo nível é um intercâmbio. Não a contratação de atletas do exterior, mas sim levar os nossos para outras regiões, pois como mostrado pela Kabum no mundial de 2014, os jogadores brasileiros tem habilidade e potêncial.

De forma geral o desempenho da Kabum deixa os inteligentes orgulhosos e mostra sem sombra de d?vidas que o Brasil est? um n?vel acima das equipes que disputam o International Wild Card e pouco, mas bem pouco, abaixo da Taiwan.

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