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Riot Brasil: gerente de e-Sports fala sobre 2014 e liga amadora
Por Paulo Freire às 15:00h - 24/04/14

Introdução

Com a temporada oficial brasileira de League of Legends começando neste final de semana, o Selecter buscou quem comanda o cenário competitivo em nossa terrinha: Phelipe Monteiro, gerente de e-Sports da Riot Brasil. Na conversa, Monteiro explicou como a temporada vai acontecer, em que formato eles se basearam, a parceria da Riot com os casters, o cenário dos times da liga Desafiante e mais. Confira abaixo a entrevista na íntegra:

O CBLoL aparece em um novo formato: a S?rie dos Campe?es. Por que neste novo estilo de liga, o sistema de pontua??o escolhido ? parecido com o da coreana OnGameNet?

A ideia foi fazer um formato que fosse muito mais parecido com o do futebol. O público daqui entende muito mais rápido, muito mais fácil. Era uma vontade nossa ter um formato de liga, mas vamos fazer de que jeito? Temos o modelo da LCS (League of Legends Championship Series) na Europa e América do Norte e a OGN (OnGameNet) na Coréia do Sul. Os coreanos utilizam o sistema de dois jogos entre times por rodada, em que duas vitórias somam três pontos, uma vitória e uma derrota soma um ponto e duas derrotas zero pontos. Isso é muito mais fácil para os novos jogadores entenderem pela semelhança com o futebol. Além disso, como é um sistema utilizado pelos coreanos, que entendem tudo sobre e-Sports, é um formato testado e aprovado. A ideia desta vez é que a liga tenha eventos presenciais apenas na abertura e fechamento, o que pode ser diferente nas próximas temporadas.

A ideia desta vez ? que a liga tenha eventos presenciais apenas na abertura e fechamento, o que pode ser diferente nas pr?ximas temporadas.

Voc?s planejam contratar casters no futuro (como a Riot j? faz na Eupora e Am?rica do Norte), ou continuar terceirizando o servi?o?

A diferença lá fora é que a Riot tem casters contratados. Então, a proximidade com o trabalho é outra mesmo, por já estarem no dia-a-dia da empresa, saberem de tudo que está acontecendo, os motivo e as histórias. É muito mais prático para eles, porque já estão inseridos no grupo. Aqui, apesar dos casters serem terceirizados, nós temos uma proximidade muito boa com todos os parceiros que trabalham com a gente, como a X5, que até transmitirá a nova Série dos Campeões. Todos os roteiros criados por eles passam pelas mãos da Riot Brasil para aprovação, desde o Desafio Internacional. A partir deste evento, houve uma grande melhora na qualidade das transmissões, por toda proximidade que tivemos com eles, por ter um roteiro mais detalhado, ter um treinamento melhor, etc. Sempre tentamos ter uma conversa antes de cada evento, dar uma instrução dos melhores termos a serem utilizados para todos que estiverem assistindo entenderem as coisas a serem evitadas, como expressões que são muito específicas do jogo. Não existe um plano hoje de contratarmos casters, mas talvez ter pessoas na equipe que ajudariam a complementar esse trabalho com os parceiros terceirizados.

Riot Games

De 2013 para 2014, n?o surgiram tantos times novos no cen?rio competitivo, com exce??o da Kabum, que se formou depois do CBLoL. A Riot Brasil pretende iniciar algum projeto com os times da liga Desafiante (Challenger)?

Acho que você sabe dos eventos que aconteceram em janeiro e fevereiro deste ano. Muitos times mudaram de formação, times novos apareceram e outros quase se desmancharam. Foi uma maluquice que foi super positiva. Nós encaramos isso como algo excelente porque mostra a seriedade que o mercado vem tomando, utilizando um período fora da temporada, como se fosse uma "janela de transferência", para trocar certos jogadores, contratar novos talentos ou fazer algo novo. Talvez teremos novos times que irão se destacar durante a liga. Sobre a liga Desafiante, nós temos planos para dar um apoio aos times "amadores", por não terem a estrutura e o apoio de grandes patrocinadores por trás deles. A nossa intenção é colocar esse projeto no segundo semestre deste ano, para essas equipes que não se classificarem para torneios de maior expressão continuarem competindo, treinando, e tenham a oportunidade de atrair novos patrocinadores ou novos talentos a serem contratados por grandes equipes do cenário.

N?s temos planos para dar um apoio aos times "amadores", por n?o terem a estrutura e o apoio de grandes patrocinadores por tr?s deles.

Qual caminho um time brasileiro deve fazer para chegar ao mundial? Se houver o Wildcard, as mesmas regi?es estar?o disputando a vaga?

Provavelmente serão as mesmas regiões, se tivermos esse formato. Mas ainda não sabemos os detalhes. Teremos sim pelo menos uma vaga ou uma oportunidade para um time brasileiro disputar o mundial. Dependemos do departamento global de e-Sports, que organiza esse tipo de evento. Eles vão passar mais informações a respeito disso provavelmente depois do Campeonato All-Stars, que acontece em Paris.

Teremos sim pelo menos uma vaga ou uma oportunidade para um time brasileiro disputar o mundial.

League of Legends sempre traz um alto n?mero de espectadores em eventos como a Campus Party ou a Brasil Game Show (BGS). Existe algum projeto de iniciar torneios informais compostos por times de jogadores visitantes?

Nós já fazemos isso, mas não em forma de torneio. Um exemplo disso foi no Desafio Internacional do ano passado, que aconteceu na BGS. Pelo torneio ter um calendário meio estranho, no último dia do evento tivemos atividades voltadas para a comunidade do jogo. As pessoas puderam subir no palco, jogar na mesma estrutura de jogadores profissionais , com a partida transmitida no telão, com os casters narrando as jogadas e também tivemos a área de free-play, onde os espectadores podiam jogar entre eles e até mesmo na companhia de alguns rioters.

Riot Games

O e-Sports vem crescendo muito nos ?ltimos anos. Por estarmos em ano de Copa do Mundo no Brasil, os patrocinadores acabam virando os olhos para outras oportunidades. Foi mais dif?cil encontrar parceiros em 2014?

Eu não acho que a gente concorra diretamente. Claro que o futebol é a paixão de todo brasileiro, e por isso estamos evitando fazer qualquer atividade do nosso calendário no período de Copa. Mas não tivemos dificuldades não, pois já temos patrocinadores de outras épocas e eventos, então tivemos uma regulação normal dessas parcerias.

Estamos evitando fazer qualquer atividade do nosso calend?rio no per?odo de Copa.

Qual a expectativa para o e-Sports em 2014?

Se continuarmos no ritmo que estamos agora, eu acho que não tem nem como medir! Estamos crescendo muito e estou muito feliz por isso, é um sonho para mim. Eu trabalho com e-Sports há muito tempo e desde que eu entrei na Riot, uma meta pessoal minha é que as pessoas tenham orgulho de assistir e jogar os torneios que realizamos. Em 2013 já tivemos essa sensação, mas em 2014 eu quero que isso fique claro e estabelecido.