0
Se libertando dos cabos: o Mito do Wi-Fi
Por Felipe Santana Felix às 18:35h - 18/11/14

Introdução

Desde o dia primeiro de Novembro, as operadas que fornecem serviço a internet estão tendo de atender a uma nova regra da Anatel, que as obriga a fornecer pelo menos 80% do serviço contratado pelo usuário. Isso parece uma piada, mas tecnicamente é uma vitória.

Entretanto a qualidade da sua rede residencial não passa apenas pela entrega do serviço adquirido. Prova disso é a infraestrutura montada este ano pela D-Link na Gaming House de uma das grandes equipes de League of Legends do Brasil, Keyd Stars. De acordo com informações recebidas e investigadas por nós, a estrutura Wi-Fi montada pela empresa superou o sinal entregue nos cabos do centro de treinamento da Keyd. O resultado é claro: a equipe, agora, não utiliza cabos para conectar suas máquinas a rede.

Agora, vamos aos fatos. Quantos aparelhos fixos existem conectados em sua casa? Provavelmente a quantia deve ser menor que a presente no centro de treinamento da Keyd, mas mesmo assim a lista pode ser grande. No caso dos leitores do Selecter provavelmente deve envolver, além de alguma Smart TV, um computador e, no mínimo, um console de nova ou antiga geração. É claro que você leitor também deve ter um smartphone e/ou um tablet. Tudo isso não inclui os demais equipamentos que transitam nas mãos das pessoas que passam por sua casa.

Com isso em mente é fácil entender um dos grandes problemas do mundo pós-conectado: para um bom aproveitamento da rede, as empresas que fornecem o serviço precisam não só ceder um bom sinal, mas também um roteador de qualidade. Isso ou realizar o milagre de cabear toda sua casa.

We need to talk about Wi-Fi

Sim, precisamos falar sobre Wi-Fi. Como mencionado, a quantidade de dispositivos que necessitam de conexão, cabeada ou não, é grande e tende a aumentar cada vez mais com empresas de tecnologia lançando equipamentos vestíveis, os populares wearables. E é dentro deste ecossistema que qualquer pessoa está inserida, principalmente você, jogador de games.

Atualmente os roteadores Wi-Fi estão em sua quinta geração, uma etapa que promete revolucionar a conexão sem fio operando em uma frequência de 5GHz e velocidade em Gigas. Essa técnologica - chamada 802.11ac - vai fazer com que seu sinal Wi-Fi sejá tão rápido quanto uma ligação entre dendrito e axônio. Ela é cerca de oito vezes mais potente que a geração anterior, 802.11n, que opera em 2.4Ghz e pode chegar a uma velocidade máxima de 600Mbps dependendo do roteador.

Esta quinta geração - e até mesmo a quarta - consegue atender muito bem a demanda de familias ligadas no YouTube ou em séries (que aproveitam conteúdo por streaming e realizam uploads com frequência) e até a de jogadores. No caso da Gaming House da Keyd, a D-Link forneceu à equipe roteadores de última geração, com valor entre R$ 799,90 e 849,91, que precisavam de adaptadores com a mesma taxa de transferência. Toda essa infraestrutura custaria um preço bem salgado para qualquer jogador, isso é verdade, mas serve para mostrar que jogar com Wi-Fi já não é um problema, desde que você saiba quais equipamentos são precisos para montar sua rede não cabeada.

É claro que o mito de que o Wi-Fi não presta para jogos tem um fundamento baseado em experimentação. Até 2006 o mercado trabalhava com equipamentos com velocidade de 54Mbps, 802.11g/a, que chamamos de terceira geração,  e apenas em 2007 pudemos ver roteadores realmente melhores. Entretando, é sabida a demora para que tecnologias mais avançadas cheguem ao Brasil a preços acessiveis. Se tratando de Wi-Fi, o problema tende a ser pior, pois diferente do mercado de celulares, computadores ou videogames, os consumidores não acompanham a evolução das tecnologias e por isso aceitam de forma passiva o chamado "Wi-Fi grátis".

? claro que o mito de que o Wi-Fi n?o presta para jogos tem um fundamento baseado em experimenta??o, mas ? necess?rio acompanhar de perto a evolu??o do mercado.

A maldi??o do Wi-Fi gr?tis

Não importa a empresa, qualquer plano de internet fixa contratado acima de 10Mbps virá com Wi-Fi grátis. Até mesmo no plano Vivo fibra, o melhor do Brasil segundo a revista INFO edição 337, a coisa funciona da mesma forma. Entrei em contato para aquisição do plano e questionei qual o modem Wi-Fi que seria fornecido. De acordo com o atendimento o modelo não é especificado, mas fui informado de que a marca seria D-Link.

Durante o tempo que passei com a equipe da empresa, conversei com o Gerente de Produtos, Rodrigo Paiva, e a Gerente de Marketing, Anna Freitag. Ambos os profissionais comentaram bastante sobre a situação do mercado brasileiro, as oportunidades e os problemas a serem resolvidos dentro da mente do consumidor. E pelo que pude perceber, o Wi-Fi grátis é o grande problema a ser combatido de imediato. Segundo eles, 90% dos planos com Wi-Fi grátis fornecem um modem de terceira geração, aquele ideal apenas para navegação em páginas na web e pesquisa. Entretando a demanda em qualquer casa que contrate um plano de 10 megas ou superior envolve consumo de videos, download por torrents entre outras atividades mais exigentes. Ou seja, o tipo de modem fornecido pelas operadoras acaba estragando a experiência dos consumidores com o Wi-Fi. De acordo com os profissionais está prática empresarial só contribui para a manutenção do mito de que o Wi-Fi não presta para jogos ou outros serviços mais "pesados".

É claro que o modelo seguido pelas operadores contribui como porta de entrada para o uso de redes Wi-Fi, entretanto o momento de grande parte dos consumidores de classe média é o de consumir um modem com qualidade superior aos fornecidos.

? claro que o modelo seguido pelas operadores contribui como porta de entrada para o uso de redes Wi-Fi, entretanto o momento de grande parte dos consumidores de classe m?dia ? o de consumir um modem com qualidade superior aos fornecidos.

Configure sua rede

Agora, com tudo isso em mente, o que fazer? A primeira coisa é parar de pensar no "Mito do Wi-Fi" como verdade absoluta. Grande parte dele tem a ver com seu roteador. A segunda é entender suas necessidades e pesquisar um pouco os equipamentos necessários para um bom uso do sinal contratado. Também é válido entender que, no momento, os equipamentos 11ac não apresentam um custo beneficio tão bom quanto os 11n que, além de custarem entre R$ 100 e R$ 200, possuem mais opções de mercado. Digo isso porque a única empresa que distribui roteadores com técnologia 11ac no Brasil atualmente é a D-Link e, por mais que ela seja uma empresa comprometida com seus consumidores, a concorrência sempre é responsável por um equilibrio mercadológico e, consequentemente, melhores produtos.

Com este texto, esperamos ter dado a você jogador uma noção, mesmo que simples, de como pensar na infraestrutura de rede da sua casa para poder entrar na nova geração de consoles, ou mergulhar fundo no PC, sem ter de se preocupar com cabeamento.