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Naruto Shippuden: UNS Revolution: abra?o de afogado
Por Bruna Penilhas às 17:38h - 22/10/14

Introdução

Lançar um jogo do Naruto por ano já pode ser considerada uma prática sagrada da desenvolvedora CyberConnect2. Em 2014, a estrela da vez é Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm Revolution, divulgado pelo estúdio como o game que renovaria a série. Mesmo acompanhado por um novo modo e mais um punhado de histórias inéditas, será que essas novidades, adicionadas aos 100 personagens jogáveis (incluindo um Mecha-Naruto), realmente conseguem inovar um jogo que é tão frequente e cuja mecânica principal já está solidificada há anos? Infelizmente, não. 

Pequenos detalhes, poucas mudan?as

O combate na franquia Naruto nunca deixou a desejar, e com Revolution isso não é diferente. Para o novo título, as mudanças neste quesito foram quase que imperceptíveis, mas deram um gostinho mais dinâmico para as batalhas. Talvez na tentativa de deixar as partidas mais variadas, a CyberConnect2 acrescentou um novo sistema de luta que se separa em três estilos: o Impulso, modo que estimula a participação de personagens de suporte durante golpes, combos especiais e movimentos defensivos; o Despertar, que faz o jogador evoluir para o seu nível máximo de poder (Naruto no modo Kyuubi, por exemplo); e o Jutsu Supremo, que libera um ataque especial de grande dano. 

Embora esse sistema não seja uma completa inovação para a série, a diferença de um modo para o outro oferece batalhas menos repetitivas. Inclusive, fãs do anime e do mangá poderão aproveitar as cutscenes do Jutso Supremo, que apresentam incríveis golpes em equipes, incluindo um super Rasengan entre Naruto, Minato e Kushina, ou um Amaterasu de camada dupla feito por Itachi e Sasuke. Há um total de 28 combinações, que são ativadas por equipes específicas que vão desde Guy e Rock Lee, até Hashirama e Madara. Para que os golpes apareçam, o jogador deve escolher um destes ninjas como personagem principal, e o restante como suporte. 

Revolution ainda conta com o Ataque de Quebra Guarda, um recurso que quando usado, desativa a defesa do adversário deixando-o atordoado. A função, disponível no slot superior do painel de ferramentas, possui um número limitado de ativações (dois por partida). Não é algo que mudará o rumo do combate, mas pode ser útil para quem deseja prolongar combos, por exemplo. Ainda há o contra-ataque, movimento que se usado no momento em que você for atacado, derruba seu inimigo no chão. 

Embora o novo sistema de combate n?o seja uma completa inova??o para a mec?nica da s?rie, a diferen?a de um modo de luta para o outro oferece partidas menos repetitivas e enjoativas.

Um passo para frente e dois para tr?s

Antes do lançamento de Naruto: UNS Revolution, a Bandai Namco deu um destaque imenso para as duas "grandes" novidades do título: a primeira é o Mecha-Naruto, uma versão robótica do ninja criada pelo próprio Masashi Kishimoto especialmente para o jogo; e o Torneio Mundial Ninja, um modo em que quatro lutadores competem entre si pela posição de melhor ninja. 

Mais cedo ou mais tarde, robôs iriam invadir o mundo de Naruto. A essa altura, é o tipo de coisa que deve ser lei no Japão. O problema é que isso não combina nem um pouco com o contexto da série, e a versão mecânica do herói ninja consegue ser insuportável em todos os aspectos. Desvios extremos no enredo geralmente não são bem vistos por fãs, e o Mecha-Naruto não passa de um personagem vazio que, ao invés de acrescentar algo ao jogo, só o deixou mais estúpido. Para piorar, a estreia do personagem no game acrescentou dois episódios sem propósito no anime, em pleno arco da Quarta Grande Guerra Ninja, a etapa final e definitiva da subssérie Shippuden. 

O combate entre quatro lutadores no Torneio Mundial Ninja, por outro lado, é algo realmente inovador para a franquia, mas até certo ponto. Como a batalha sempre é entre um jogador e três máquinas, a disputa é desafiadora e dinâmica. Além da partida possuir seus próprios comentaristas (Shizune, Mabui e Shikaku), há plataformas interativas e temporárias que oferecem poderosos golpes ao jogador que alcançá-las primeiro. Se a modalidade se resumisse nisso, Revolution estaria uns bons passos à frente de seus antecessores. A questão é que para entrar em cada etapa do Torneio, o jogador deve gastar um bom tempo completando missões inúteis por Konoha e pela Ilha Festival, e pior, lendo longos e insignificantes diálogos - que, como se não bastasse, estão cheios de erros ortográficos. Eu, honestamente, não sei se isso foi uma tentativa de retomar o modo RPG dos jogos antigos (que eu amava tanto). Caso tenha sido, deu totalmente errado. A grosso modo, o Torneio Mundial Ninja se divide em duas camadas: a chata (missões) e a legal (combate). O problema é que a parte chata é realmente tão chata que me fez desistir da legal, ofuscando o único e verdadeiro diferencial do game. O vídeo abaixo, feito pelo youtuber Throneful, retrata os primeiros 40 minutos dessa desastrosa miscelânea. 

Mais cedo ou mais tarde, rob?s iriam invadir o mundo de Naruto. A essa altura, ? o tipo de coisa que deve ser lei no Jap?o. O problema ? que isso n?o combina nem um pouco com o contexto da s?rie.

Voltando a fita

Revolution acompanha 50 minutos inéditos de uma animação que retrata os primeiros momentos da Akatsuki depois da morte de Yahiko, líder da organização. Com artes de Masashi Kishimoto, o trabalho feito nesse conteúdo é de longe a melhor parte do jogo. Além da animação estar com um visual belíssimo, com cores mais vibrantes do que o normal, foi divertido reencontrar personagens como Kakuzu, Deidara, Sasori, Itachi, Hidan e Kisame, e saber como todos eles foram recrutados para a Akatsuki. 

A animação está inserida dentro do modo Fugas Ninja do game, e permite que cenas do anime sejam intercaladas com batalhas jogáveis. Embora tudo isso não ofereça mais do que duas horas jogabilidade, a forma que as cenas e as lutas se encaixam trazem uma sensação de proximidade com a situação. O fato dos personagens conversarem sobre a história em si durante o combate é outro ponto que acrescenta familiaridade entre o jogo e anime.

O Fugas Ninja ainda inclui uma bela animação sobre Uchiha Shisui, marcando a primeira aparição do ninja nos jogos. Embora seu passado já tenha sido revelado no anime, os trechos do game incluem algumas cenas inéditas que revelam um pouco mais da relação de Shisui com seu melhor amigo, Uchiha Itachi, e até mesmo com Uchiha Sasuke. Há também breves cenas referentes ao time Minato, que recordam o carinho que Kushina tinha com Obito. Esta parte, no entanto, não inclui lutas jogáveis.

Al?m da anima??o sobre a Akatsuki estar com um visual bel?ssimo, foi divertido reencontrar personagens como Kakuzu, Deidara, Sasori, Itachi, Hidan e Kisame.

Veredicto

Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm Revolution é um claro produto para os fãs, e o modo Fugas Ninja é uma prova disso (embora ele não deixe nada a desejar). Sim, a quantidade de personagens jogáveis pode ser um recorde para a franquia, mas convenhamos que tudo isso, junto com as novas ferramentas de combate, poderiam ter sido adicionadas ao jogo anterior com uma atualização pós-lançamento.

Naruto se tornou essencialmente um game de luta, e Revolution cumpre seu papel sem muito esforço nesse quesito. Mas, como qualquer outro jogo do gênero, jogar sozinho não tem graça. E já que os outros modos de Revolution não são assim tão interessantes, pagar R$ 179,90 em uma nova versão só para ficar lutando contra a máquina não vale a pena - a não ser que você tenha com quem jogar no modo versus.

*Não deixe de ler nossa política de review

5
PONTOS FORTES
  • Fluidez no combate
  • Anima??es fant?sticas
  • Variedade de personagens jog?veis
PONTOS FRACOS
  • Modo Torneio ? mal constru?do
  • Tradu??o com erros grotescos
  • Mecha-Naruto ? insuport?vel