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Resumo: confer?ncia da Nintendo mostra conte?do para f?s de longa dara
Resumo: confer?ncia da Nintendo mostra conte?do para f?s de longa dara
Por Leonardo Teixeira às 18:17h - 11/06/14

Introdução

"Esta convenção acho que podemos manter", brinca Eiji Aonuma, pai de The Legend of Zelda, logo antes do novo, belo e amplo cenário do futuro jogo da série ser invadido por uma raivosa aranha de rocha gigante munida de raios laseres. Aonuma estava se referindo ao padrão Zelda de habitar ambientes de jogo com monstros perigosos, mas também estava falando algo de muito valor para a Nintendo: que, para seguir adiante, a companhia japonesa precisa quebrar suas próprias regras onde puder. A Nintendo, em seu segundo ano optando por aparecer no pré-E3 via evento digital, não é a mesma empresa conhecida pelas conferências que antes abriam oficialmente a E3 para jornalistas. Este ano, a Nintendo nem parecia estar muito preocupada com o que estava para acontecer no Los Angeles Convention Center. Ela queria é abordar diretamente as maiores preocupações de seus jogadores.

Inova??o e inclus?o

Não é a toa então que Aonuma apresentou as primeiras imagens do novo The Legend of Zelda. O jogo pode sim ter incomodado fãs com o visual mais cartoon do que o apresentado na demo do Wii U, em 2012, mas isso é só história se repetindo. O importante é que Aonuma fez um discurso muito consciente a respeito do que a Nintendo quer com o jogo: o designer falou sobre as limitações de títulos anteriores da série e como este pretende dar ao jogador a liberdade de acessar a área que quiser quando quiser, e como o time está montando novos desafios respeitando o simples fato de que o player poderá acessá-los através de diversas entradas e saídas potenciais.

Star Fox, outro nome querido pela comunidade de fãs mais fiéis da Nintendo, também apareceu. Foi rápido, mas significativo: Shigeru Miyamoto, o líder criativo da gigante de Quioto, afirmou estar trabalhando no título, que usará o ativamente o GamePad do Wii U como um sistema de mira independente da ação acontecendo no televisor. O anúncio também foi o maior sinal do compromisso da Nintendo com inovação: o novo Star Fox - originalmente pensado para Wii - ficou na geladeira por sete anos, apesar de constante pressão dos fãs. O time não o retirou do limbo até que viu no GamePad a possibilidade de trazer algo novo.

Inclusive, dois outros projetos de Miyamoto atualmente em desenvolvimento também reforçam funções do controller, que até o momento não tem sido plenamente utilizado pelos grandes jogos do Wii U. Some isso ao anúncio do Amiibo, que aproveita o NFC do próprio acessório para transmitir dados de bonequinhos para jogos no estilo Skylanders, e há realmente um carinho extra da japonesa com o pad. Considerando que cada unidade do Wii U está sendo vendida abaixo do custo de produção, garantir que todos aqueles componentes custosos estejam sendo usados é uma boa estratégia.

Aonuma fez um discurso muito consciente a respeito do que a Nintendo quer com The Legend of Zelda

Quem me viu, quem me v?

O resto do evento contou com anúncios focados para fãs de longa data da Nintendo. Além de Zelda - que também inspira o futuro Hryule Warriors- e Pokémon, Mario foi o único nome realmente grande, e mesmo assim apareceu na forma de um jogo menor, no estilo Mario Paint. O resto foi mesmo para quem já conhece a casa: o cogumelinho Toad protagoniza seu primeiro jogo, o dinossauro Yoshi aparece coberto de lã, Kirby pipoca em novo jogo para Wii U e ficamos sabendo sobre Palutena (de Kid Icarus) no novo Super Smash.

O outro item digno de nota, entretanto, tem pouco ou nada a ver com as marcas já consolidadas da Nintendo: Splatoon, o primeiro grande experimento da Big N em um jogo de ação totalmente desenhado para ser multiplayer. É ainda um pouco mais especial que isso: é um shooter competitivo que não tem como objetivo matar alguém. Jogadores controlam personagens armados com atiradores de tinta, e têm como meta pintar o maior espaço possível da arena com suas cores. A capacidade de se transformar em uma lula dá um tempero extra: transformados, jogadores podem nadar rapidamente através da tinta jogada pelo seu time e podem recarregar suas armas. Ah, e use-as contra um oponente e tudo o que você consegue fazer é atordoá-lo momentaneamente. 

Acredite, não é puramente papo de pacifista: ter um jogo competitivo que não envolve mortes e abates ajuda a variar um pouco, principalmente em um ambiente tão violento e pessimista quanto o dos jogos da E3. E como já falamos acima, variedade é a bandeira que a Nintendo está escolhendo carregar.

Houve, inclusive, um espaço bem amplo para a demonstração de jogos digitais a serem comercializados via eShop que vale a pena ficar de olho. Tem até os brasileiros de Pier Solar:

 

Conclus?o

Entre reforçar a utilidade do GamePad e o foco na parcela de seus usuários que já está seguindo no rastro da companhia há algum tempo, a Nintendo consolidou sua posição como desenvolvedora de jogos inovadores em primeiro lugar. A falta de um espaço para discutir aquela velha estratégia voltada para fitness e saúde, assim como a produção de hardware único para países emergentes foi estranho - por mais que envolvam um papo mais business. A impressão é que a Nintendo mostrou apenas parte do que pretende fazer em 2014. O resto, é esperar para ver.

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