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Razer Ouroboros: pedra sobre pedra
Por Leonardo Teixeira às 13:00h - 15/07/14

Introdução

Não se engane com a silhueta do Ouroboros, que empresta as curvas elegantes de um modelo da Lamborghini. O mouse da Razer está longe de ser um escravo da moda, e permite, muito pelo contrário, que o usuário mexa como quiser no seu desenho. O Ouroboros segue uma tendência crescente da computação: ele é um aparelho modular, um mouse desmontável criado para suprir uma diversidade de necessidades específicas em um só pacote. Mas será que ele compete em funcionalidade com seus adversários?

Troca de pele

Vamos começar pelo seu chamariz. Sim, o Ouroboros é modular, mas isso não significa que você possa transformá-lo numa besta de botões direitos e cliques de atalho. Todas as peças intercambiáveis do aparelho funcionam sobre uma base pré-definida, que conta com os dois botões tradicionais, seis teclas de atalho nas laterais, dois comandos para aumentar ou diminuir DPI no meio e, logo acima, a roda de rolamento - com belos LEDs de luz verde quando o mouse está ligado.

A ideia é que seja possível usar o mouse sem nenhuma das pecinhas adjacentes. É uma opção confortável para quem prefere aparelhos menores, mas como os atalhos laterais ficam desprotegidos, o ideal é mesmo montar pelo menos as placas, que fazem os botões ficarem um pouco mais escondidos. Sobre os extras: o pacote inclui dois sets de repousos laterais (um texturizado, outro com descansos para os dedos na porção inferior), uma peça traseira para extender o comprimento do mouse e um kit para usá-lo como um periférico wireless. Uma pilha AAA recarregável fecha o pacote.

Abaixo você pode ver as diferentes formas que o mouse pode assumir. Uma coisa, entretanto, é padrão: este é um dos produtos mais sexy já lançados pela Razer. E isso é sem dúvida grande coisa.

Uma coisa, entretanto, ? padr?o: este ? um dos produtos mais sexy j? lan?ados pela Razer. E isso ? sem d?vida grande coisa.

Formas e reformas

Embora não dê para montar um mouse do zero, a opção de oferecer uma base funcional para o consumidor é inteligente, e garante que qualquer configuração funcione. A parte traseira dele pode não só ser arrastada para frente e para trás de maneira a alterar o comprimento do aparelho, mas também tem um ajuste que permite levantar ou retrair as costas do mouse para melhor se encaixar contra a palma da mão. Todas as peças são encaixadas por meio de imãs - ao invés de serem parafusadas, como no caso da linha Cyborg R.A.T. - e garantem firmeza, além de serem fáceis de instalar. É bem pensado, e a simplicidade da montagem casa com a facilidade similar de plugar e começar a usar o acessório. 

Para úsá-lo de fato, há duas opções: ou você o conecta através do cabo USB destacável direto ao PC, ou liga, com o mesmo fio, a base que vem inclusa utilizando o periférico no modo wireless. 

Desconectado, o acessório funciona muito bem, sem qualquer sacrifício à experiência. Há inclusive boas ideias: o mesmo hub que serve para se comunicar com o mouse também funciona como recarregador de pilha, o que significa que o usuário raramente tem que tirar o aparelho de sua área de trabalho ou jogo para reabastecer a bateria. O Ouroboros também se desliga quando passa certo tempo sem ser usado em modo sem fio, o que potencializa a já boa autonomia da bateria.

Em testes, o Ouroboros se manteve muito capaz. O acabamento fosco e áspero garantem uma superfície difícil de sujar e facilita um bocado a pegada. E por falar em pegada, foi ao sair da minha zona de conforto que descobri um pequeno defeito do aparelho: costumo usar mouses descansando toda a palma em cima do corpo dele, o que faz com que meus dedos teclem as extremidades dos botões direito e esquerdo. É uma opção - que, por sinal, funciona muito bem com o Ouroboros. Outros preferem jogar o pulso para trás do mouse, usar pouco da palma, descansar os dedos nas laterais do mouse e clicar as teclas principais logo em seu comecinho - essa posição dificulta que o mouse saia deslizando pelos lados. Neste tipo de pegada, a precisão dos botões do Ouroboros se perde um pouco se comparado com seus concorrentes.  

Deslize pr?prio

Vamos aos números. O Ouroboros vem com um sensor 4G extremamente sensível, capaz de oferecer até 8200DPI. Isso significa que, por cada polegada movida, o mouse percorre mais de 8 mil pontos da tela - o que é bom caso você tenha um monitor enorme, mas pode parecer um balé no gelo em mostradores menores. O peso de 115g (ou 135g com a pilha) é bom e garante firmeza, mas não é possível customizá-lo como no R.A.T. 9 ou no mais humilde Genius DeathTaker - ambos contam com pesinhos encaixáveis.

Para configurações mais modestas, o sistema do mouse permite ajustar o DPI - que você pode acompanhar através do software Razer Synapse 2.0 - e há até um gatilho (que a empresa chama de "embreagem") para mudanças temporárias em sensibilidade quando segurado os botões dedicados à função. É uma adição inteligente e trabalha a favor do tema modular do mouse, mas, como jogador de Battlefield, ainda prefiro o jeitão mais direto ao ponto e claro que a mudança é feita no Thermaltake Level 10M, por exemplo (que conta com uma alavanca de fácil acesso e luzes que melhor comunicam mudanças no DPI).

Um processador ARM 32 bit também permite algumas funções interessantes. A maior delas é a possibilidade de programar não só a superfície que o mouse vai rodar (em termos de cor e material) como também acertar exatamente em que altura do mousepad o Ouroboros deixa de registrar o movimento. 

Para fechar, a taxa de atualização do mouse é de 1,000 Hz, e o mouse demora 1 milisegundo para registrar uma mudança de posíção. Pode ser um número meio impressionante, mas é basicamente o que o jogador pode esperar de mouses high-end, incluindo o competidor direto do Ouroboros, o R.A.T. 9.

Para configura??es mais modestas, o sistema do mouse permite ajustar o DPI e h? at? um gatilho para mudan?as tempor?rias em sensibilidade.

Veredicto

Vale sempre lembrar que o Ouroboros é também um dos poucos mouses ambidestros do mercado - ele tem inclusive um desenho simétrico -, e cada uma de suas 11 teclas podem ser programáveis pelo usuário - servindo até como atalhos de macro caso o jogador não tenha um teclado gamer. Mas o mais interessante é que, deixando os comunicados oficiais e slogans um pouco de lado, o Ouroboros é uma máquina competitiva e precisa que não perde nada em quase todas suas confugirações possíveis. O Ouroboros não se resume apenas ao seu chamariz modular, mas também é um aparelho construído para funcionar estupidamente bem para início de conversa. Por R$ 600, ter uma opção não só um pouco excêntrica, mas também constantemente confiável, faz com que o Ouroboros se saia como uma boa pedida. E vale lembrar que um bom mouse é o primeiro passo para melhorar seu jogo.

*Não deixe de ler nossa política de review

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PONTOS FORTES
  • Design incr?vel
  • Extremamente program?vel e modular
  • Configura??es competitivas
  • F?cil instala??o em todos os sentidos
PONTOS FRACOS
  • N?o h? customiza??o de peso
  • Teclas laterias ficam desprotegidas sem as placas
  • O clique dos bot?es principais pode variar dependendo da pegada