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Overwatch ? a Blizzard saindo da zona de conforto em dire??o ao seu futuro
Por Felipe Vinha às 16:11h - 12/11/14

Introdução

Overwatch foi o nome mais falado da BlizzCon 2014, feira que ocorreu no último final de semana, em Anaheim, Califórnia. A expectativa criada pela Blizzard ao redor do anúncio foi tão grande que, na verdade, muitos dos fãs passaram a chamar o evento de “OverwatchCon”.

Não é por um acaso, já que a introdução do novo game de tiro online da Blizzard faz por merecer tamanha atenção. Este é o primeiro título totalmente inédito da empresa em 17 anos. Estamos falando de personagens estreantes, em um universo novo, e uma dinâmica de jogo até então inexplorada pela casa de WarCraft. Além disso, Overwatch parece ter aquele selo de carisma que a produtora californiana consegue imprimir em seus projetos. Mas será que é isso tudo mesmo? E o que o futuro reserva para Overwatch?

"Overhyped"? Ainda n?o

A euforia começou na abertura do evento, quando Chris Metzen, vice-presidente de desenvolvimento da Blizzard, subiu ao palco emocionado para revelar aquele trailer “estilo Pixar”, que traria Overwatch ao mundo. A loucura tomou conta dos presentes quando souberam – e já imaginavam – que o game estaria plenamente jogável, ali mesmo, na BlizzCon, mostrando que a boa e velha “Blizz” não dá ponto sem nó.

É claro que a correria foi grande, e eu fiz parte dela. Por mais que a imprensa tenha recebido tratamento especial, com uma sala exclusiva para os testes da nova aventura, este era o tipo de jogo que requer um teste “no meio da galera”, no calor do momento, jogando com pessoas como você, eu, seus amigos e parentes.

A principal impressão que Overwatch deixa, de início, tem a ver com a quebra de paradigmas no estilo Blizzard de ser. Ele não se parece com um jogo da dona de World of Warcrafr e Diablo, e isso é bom, pois mostra que a empresa está realmente saindo de sua zona de conforto. É um passo em boa direção, e o time mostra que quer se arriscar e ir além – não apenas pelo produto inédito, mas por trazer novidades ao gênero.

A principal impress?o que Overwatch deixa, de in?cio, ? na sua quebra de paradigmas no estilo Blizzard de ser

Mec?nicas familiares

Overwatch opera sob o já tradicional gênero de tiro em primeira pessoa. Sim, ele lembra bastante Team Fortress 2, o já famoso título da Valve, mas oferece uma experiência ainda mais voltada para a ação, com base mais forte em habilidade do que em seu similar.

As demonstrações da BlizzCon contavam apenas com 12 personagens, mas era possível reparar mais deles não só no trailer oficial, como também nas artes espalhadas pela feira, a exemplo de um ninja cibernético no melhor estilo Warframe, ou um sujeito alto e corpulento que parecia ter saído de Borderlands.

Mas, por enquanto, era com Reaper, Winston, Tracer, Widowmaker, Phara e outros personagens que visitantes e jornalistas jogavam sessões de Payload, o único modo disponível na demo. Ele é dividido em duas rodadas, cada uma com o objetivo de defender e atacar uma base, mas não necessariamente nesta mesma ordem. Como um legítimo game de tiro em primeira pessoa, ele deve ter mais modos revelados ou adicionados no futuro, principalmente após o seu lançamento oficial, mas isso é algo que a Blizzard ainda preferia não falar a respeito.

Apesar de a jogabilidade ser padrão, muitas das mecânicas são similares aos MOBAs, por mais que, de MOBA mesmo, Overwatch não tenha quase nada. Entretanto, o game usa termos como “Ultimate”, para se referir ao golpe mais poderoso do seu personagem, e também insere habilidades específicas, em atalhos milimetricamente planejados, como a tecla Q, que ativa um poder qualquer, e que varia de personagem para personagem. As habilidades possuem tempo para recarregar. A Ultimate, inclusive, já começa a partida recarregando - e demora bastante para isso, o que deixa entender que os personagens não terão níveis ou evoluções ao longo das partidas.

Com a tecla Shift, no geral, ativa-se uma habilidade que, além de trazer benefícios específicos, também faz com que o herói se mova mais rápido pelo cenário. É, Overwatch foge um pouco do lugar-comum dos FPS, ainda sem um botão de corrida, ou algum sistema mais tradicional que faça com que o jogador ande mais rápido com seu personagem durante as partidas. Um erro? Talvez não. Um acerto inovador? O tempo vai dizer.

O tempo também vai dizer mais sobre o possível desequilíbrio do game. Pelo que testei, alguns personagens pareciam mais fortes e injustos em relação a outros. O “sniper” Hanzo tem a habilidade de subir em paredes e atirar de longe, o que pode ser injusto para quem não pode ir até lá e dar cabo dele – e nem todos os personagens usam projéteis. Além disso, há Torbjörn, o anão/engenheiro que posiciona sentinelas pelas fases, que são praticamente indestrutíveis e muito rápidas de gatilho. Pense em uma pontuação subindo de 8 para 16 mortes em menos de um minuto. É um ponto que a Blizzard precisa trabalhar bastante, ao longo da fase beta.

Livre de enredo

Como foi possível notar no trailer inicial, Overwatch vai ter um enredo e um universo planejado, mas isso não será o foco da Blizzard. Melhor dizendo: o game será focado nas partidas multiplayer, mas nada vai te impedir de formar uma equipe de heróis e vilões juntos, ou uma equipe somente com Tracers, ou somente com Reapers. A escolha de personagem - e estratégia - é sua, e de seu time.

Chris Metzen também comentou que o trailer inicial vai ser prolongado com mais vídeos ao longo dos meses, mais ou menos no estilo “Meet the Team”, de Team Fortress 2 – mas sem citar o jogo concorrente, claro. “A ideia do vídeo não é que vamos ter mais daquele ou até um filme de Overwatch, mas aquela história vai continuar de alguma forma, e assim teremos mais sobre cada um dos personagens, mas sem atrapalhar a jogabilidade”, disse, durante a coletiva de imprensa na BlizzCon.

Para Metzen, a ideia é que Overwatch seja sobre diversão, algo que ele mesmo aprovou sobre o jogo, independente do que disserem a respeito. “Com Overwtach, o que mais importa para mim é que eu gostei demais do resultado. Não me importava com a opinião geral depois que revelássemos o game. Eu estava satisfeito com o resultado e era isso que importava para mim, mas também fiquei mais calmo, quando vi que todos curtiram”, apontou.

Chris Metzen tamb?m comentou que o trailer inicial vai ser prolongado com mais v?deos ao longo dos meses, mais ou menos no estilo ?Meet the Team?, de Team Fortress 2 ? mas sem citar o jogo concorrente, claro.

Um jogo, muitas formas

Metzen também disse que Overwatch deve ser expandido com mais modos de jogo e personagens no futuro, seguindo, também, o estilo da maioria dos MOBAs. O produtor esquivou de uma pergunta sobre a possibilidade de levar o game aos consoles, porém. “Hoje estamos aqui para falar sobre Overwatch no PC”, disse, deixando no ar aquela impressão de que no futuro, sim, podemos ter o novo título no PS4 ou Xbox One, já que sua adaptação não é algo de outro mundo. São poucos os botões utilizados, que casariam facilmente com um joystick. A Blizzard já provou que sabe adaptar bem um jogo seu para controles de videogames, como provou recentemente com Diablo 3.

E que tal skins? Chapéus? Modificações visuais? A Blizzard está pensando em tudo isso, e quer monetizar, claro, independente de qualquer modelo de negócios que o game vá seguir de início. Jeff Kaplan, ex-produtor de WoW e atual responsável pela direção de Overwatch, garantiu que este vai ser um título mutável, com vários opções para que você personalize seu jogo, algo que a Blizzard espera oferecer em larga escala. “É algo que pensamos desde o início do projeto”, apontou.

Na verdade, Overwatch parece ser um jogo mutante desde o início. A impressão que ficou é que ele era o Project Titan, MMO ambicioso cancelado pela Blizzard, que veio a se tornar o shooter online. Metzen chegou a comentar que o game tem elementos de Titan, “assim como tem WoW e de StarCraft, então não dá para afirmar categoricamente que Titan se tornou Overwatch”.

Mas, se depender do futuro da Blizzard - e em como a própria empresa tem aprendido a ser uma verdadeira mutante de ideias - ainda que com ressalvas de equilíbrio, Overwatch tem um belo caminho pela frente.

A impress?o que ficou ? que ele era o Project Titan, MMO ambicioso cancelado pela Blizzard, que veio a se tornar o shooter online.

Anota??es administrativas da reda??o

Felipe Vinha foi convidado para o evento pela Blizzard em nome do TechTudo e aceitou fazer uma texto especial para o Selecter após entrarmos em contato.

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