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Plants vs. Zombies: Garden Warfare: a origem das esp?cies
Por Bruna Penilhas às 12:54h - 19/08/14

Introdução

Após conquistar um sucesso massivo no mercado de jogos móveis com o primeiro e segundo Plants vs. Zombies, a PopCap Games resolveu levar sua franquia mais a fundo e apostar não só em outras plataformas, como também em ideias um tanto inusitadas. Em Plants vs. Zombies: Garden Warfare, o estilo simples do tower defense é substituído por um shooter em terceira pessoa que acaba sendo bem dinâmico e divertido. Nele, você deixa de ser o jardineiro estrategista, e passa a jogar na perspectiva dos carismáticos protagonistas da série: tanto as plantas determinadas quanto os zumbis vegetarianos. 

Rivais de longa data

Garden Warfare se diferencia de qualquer outro shooter de grande porte já lançado (como Call of Duty e Killzone), mas sua base está claramente fundada nos jogos da marca Battlefield. Claro, onde antes haviam soldados patriotas defendendo seus respectivos países, deixando ambientes destruídos, intensas explosões e tiroteios em seus rastros, em Plants vs. Zombies, a opção foge de cenários sombrios ou apocalípticos e até apostam em efeitos sonoros malucos - um constraste inteligente considerando os rivais mortais que os habitam. Mesmo o cemitério consegue ser visualmente limpo. 

Mas, sem dúvida, a essência e potência do jogo é a diversidade entre as classes dos personagens, que brincam com o molde do gênero. No lado dos vegetais encontramos rostos familiares: Disparaervilha, Girassol, Cacto e Carnívora. Já nos mortos-vivos, temos o Soldado, Engenheiro, Cientista e All-Star. Cada um dos oito combatentes apresenta um modo principal de ataque e três habilidades especiais. O delicado Girassol, por exemplo, pode atirar raios solares em seus adversários, ao mesmo tempo em que cura seus companheiros. Dito isso, fica bem claro que cada uma das classes proporciona uma experiência única. Jogar com o Cacto pode levar o jogador a estabelecer táticas de franco-atirador, enquanto o Soldado em decomposição recorda a classe Assalto, de Battlefield. Para os iniciantes (como eu) recomendo apostar na Disparaervilha e no Soldado, que são as classes com disparos mais precisos. 

Por diversos momentos, eu esqueci que o principal objetivo dos zumbis é devorar as plantas e seus jardins. No meio de tanta confusão, essas criaturas rastejantes se mostram espertas e mais poderosas do que nunca. Eles não possuem um atirador de elite como o Cacto, mas demonstram habilidades de uso único que lhes dão maior mobilidade e geram ataques explosivos. Cada uma destas características individuais fazem com que as classes de ambos os lados se completem. A melhor parte disso é poder aproveitar do estilo de jogo de cada personagem. Novamente cito o Cacto, que além do seu andar marombado, pode ser de grande utilidade em situações que pedem um bocado mais de estratégia. O espinhoso tem a capacidade de plantar amendoins para proteger os flancos da equipe, largar minas de batatas por cantos estratégicos e até mesmo pilotar uma cabeça de alho atiradora. Por outro lado, o Cientista morto-vivo agiliza a vida de seus companheiros. Ele pode diminuir a distância entre os inimigos através de um teletransporte de curto alcance, função que ajuda (e muito) no modo Jardins e Cemitérios. 

Há, no entanto, algo que me afligiu por um bom tempo no meio de tanta diversidade: os personagens não correm. Nunca imaginei que o comando me faria tanta falta, principalmente nos momentos em que o que eu precisava era me esconder ou ir para a briga o mais rápido possível. É um comando básico e indispensável que qualquer shooter deveria ter.

Por diversos momentos, eu esqueci que o principal objetivo dos zumbis ? devorar as plantas e seus jardins. No meio de tanta confus?o, essas criaturas rastejantes se mostram espertas e mais poderosas do que nunca.

Guerra de circo

Garden Warfare é totalmente online e não conta com um modo campanha. Ainda assim, os vários modos multiplayer conseguem prender por boas horas. Embora o jogo tenha sido lançado em fevereiro, as rodadas continuam lotadas de jogadores. E algo que me chamou atenção é que muitas crianças (mas muitas mesmo) estão jogando. Pude perceber isso através do microfone do Kinect, que tem suporte com o jogo, e que captavam finas e estéricas vozes gritando algo impossível de decifrar. Sabia que eram crianças, e isso basta. Inclusive, todas elas me derrotaram de forma esplêndida.

Vamos então descrever cada um dos dinâmicos modos: para os novatos, a própria PopCap indica o Capacho como um meio de treinamento. Este estilo roda uma clássica partida de Derrubadas em Equipe, só que os jogadores que morrerem várias vezes seguidas vão receber um bônus de vida ao renascerem. No Derrubadas em Equipe tradicional (famoso Mata-Mata), com 12 contra 12, você pode entrar para equipe das plantas ou dos zumbis - decisão do próprio servidor. A equipe que matar 50 adversários primeiro, é a vencedora da partida. É divertido e caótico, mas o baixo número de mortes necessárias para a partida encerrar torna o tempo de duração deste modo curto demais.

Jardins e Cemitérios é sem dúvidas, meu modo preferido. Ele é uma mistura de Rush e Conquest (mais vestígios de BF) em que 24 combatentes se encontram em uma arena crescente. Os zumbis vão tentar capturar os jardins para transformá-los em cemitérios, enquanto as plantas devem evitar que seus lares sejam destruídos. Quando uma base for conquistada, a batalha segue para outra região do mapa. A duração das partidas é satisfatória, e a dificuldade de conseguir manter ou capturar os jardins é um desafio entusiasmante, mas que deve ser trabalhado em equipe para dar certo. O cooperativo Operação Jardim tem suporte para até quatro companheiros. Juntos, o quarteto deve proteger sua horta contra hordas constantes de mortos-vivos. Cada onda de ataque fica cada vez mais forte e traz zumbis equipados com defesas bizarras - destaque para os que estão envoltos por um banheiro químico ou um caixão. Joguei Operação Jardim no modo local, em tela dividida, com meu companheiro ruivo de redação, Marcos Candido, e tivemos uma boa experiência. Eu, com o Girassol, e ele, com o Cacto, conseguimos criar estratégias para conter os monstros por um tempo.

Outro modo interessante é o Gnomba, que por si mesmo já tem um nome genial. Aqui, os times devem encontrar um gnomo de jardim nada usual. A peça de cerâmica está equipada com uma bomba, que deve ser armada na base do seu inimigo antes que exploda. É um boa forma de trazer um bocado de desespero. Há também o Derrubadas em Equipe Clássico e Jardins e Cemitérios Clássico. O objetivo de ambos os modos é o mesmo que os originais, mas dentro dele não é permitido usar personalizações, melhorias ou qualquer outro upgrade para os personagens. Dessa forma, as partidas ficam mais equilibradas, e os jogadores devem explorar suas habilidades básicas para conseguir vencer. Assim como o Capacho, é um boa opção para os iniciantes. Por fim, o Mistureba reúne 16 jogadores em uma junção de todos modos do jogo. Tudo acontece muito rápido, e muitas vezes me encontrei perdida entre as mudanças de estilo, mas não deixa de ser divertido. 

Embora o jogo tenha sido lan?ado em fevereiro, as rodadas continuam lotadas de jogadores. E algo que me chamou aten??o ? que muitas crian?as (mas muitas mesmo) est?o jogando.

Desfile de moda, figurinhas e cen?rios inanimados

Em poucas horas de jogo é possível desbloquear as três únicas habilidades de cada uma das oito classes. Essa quantidade de poderes é o suficiente para boas elaborações de ataque ou defesa, mas pode se tornar cansativa. Importante dizer, porém, que as classes e as mecânicas de estratégia, que no fim das contas fazem um bom shooter, fluem bem em Garden Warfare. Há ainda uma série de itens de customização. As modificações corporais nos personagens incluem tatuagens, chapéus, roupas, máscaras e muitas outras coisas estranhas que fazem a guerra ficar com a cara de um desfile bizarro de moda. Sem dúvidas, é possível deixar seu guerreiro com uma aparêcia única. 

Ainda sobre diversidade: há personagens variantes, como a Flor de Fogo, que dispara chamas em vez de raios solares. Conquistá-las pode ser um processo lento e que requer muitas figurinhas, mas tê-la certamente vai aumentar o seu leque de estratégias. É bem fácil conseguir coletar moedas durante as partidas. Uma rodada de dez minutos pode render entre 2 mil a 3,5 mil delas. Elas podem ser gastas na loja que figurinhas - que particularmente me trouxeram aquela sensação de "preciso comprar mais pacotes de Yu-Gi-Oh!". A dica é tentar se controlar e não gastar tudo nos conjuntos mais baratos (que vão de mil a 4 mil). Os pacotes mais caros, que custam 20 mil e 40 mil, guardam itens raros e desbloqueiam personagens novos. 

Ressalto, por fim, um importante fator que a presença das carismáticas plantas e zumbis não consegue cobrir. A interação dos personagens com o cenário é praticamente nula, com exceção para o mapa ambientado no Velho Oeste, que inclui um trem capaz de atropelar os jogadores mais distraídos. Todos as áreas são bem construídas e cheias de detalhes, mas tudo parece estar congelado. Ao cair na piscina, por exemplo, nada acontece. É algo bobo, que não afeta diretamente os bons sistemas do game, mas que pode deixar uma pontinha de decepção nos jogadores mais curiosos e exploradores.  

As modifica??es corporais nos personagens incluem tatuagens, chap?us, roupas, m?scaras e muitas outras coisas estranhas que fazem a guerra ficar com a cara de um desfile bizarro.

Veredicto

A batalha entre plantas e zumbis pode ter mudado com a chegada de Garden Warfare, mas a diversão e carisma destes personagens foram transportados dos games mobiles sem qualquer sacrifício. A fidelidade com suas origens impressiona e desmente quem dizia, sem ao menos ter jogado, que este seria um jogo bobo e decepcionante. As texturas abusadas combinam com seus personagens, e as habilidades vestem bem em seus portadores. E após ver tantas customizações disponíveis em partidas online, é fácil ver como cada uma destas criaturas contribuem para a diversidade do ecossistema do jogo.

Um shooter comicamente desafiador, capaz de reunir pessoas de todas as idades e que não segue objetivos batidos. No fim das contas, é disto que eu sentia falta no gênero.

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9
PONTOS FORTES
  • Classes bem distintas
  • Gr?ficos casam com a proposta do game
  • Microtransa??es com bom valor
  • Diferentes itens customiz?veis
PONTOS FRACOS
  • N?o h? o comando de correr
  • Falta de intera??o com o cen?rio