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The Wolf Among Us: temporada completa
Por Leonardo Teixeira às 17:30h - 28/08/14

Introdução

Depois do estrondoso sucesso da adaptação de The Walking Dead para os videogames, a Telltale está de volta com um novo universo para explorar. É uma proposta arriscada, já que antes de viajar pelo apocalipse zumbi, a companhia havia emplacado os mornos Back to the Future e Jurassic Park. The Wolf Among Us, inspirado na HQ Fábulas, do selo Vertigo, é ao mesmo tempo uma chance para tentar algo novo e se manter como um dos mais criativos estúdios do momento. O game leva jogadores a uma sociedade secreta de Nova York formada por personagens de contos de fada obrigados a se refugiar no mundo real, e te dá o controle do xerife Bigby, o ex-Lobo Mau que se vê às voltas com um assassinato violento e macabro, e com um mundo que não é o que parece. Confira abaixo nossas opiniões episódio por episódio. 

Epis?dio 1: Faith

A premissa do primeiro episódio de The Wolf Among Us é brilhante. Mas, vá por mim: não é tudo culpa do universo original dos quadrinhos. Ritmo e síntese são os astros da vez: desde a primeira briga que o jogador compra como Bigby até o surpreendente desfecho que serve de fio condutor para o resto da temporada, tudo - do tema central aos personagens - é apresentado de forma clara, organizada e interessante. A Telltale raramente impede o andamento do enredo para mostrar algo de importante - a única exceção é um trecho em que o jogador pode parar para ver um livro cuja presença na trama não faz lá tanto sentido, mas até isso é bem opcional.

O jeito que o jogador controla o personagem lembra bastante The Walking Dead: Bigby é controlado pelas setas ou alavancas, mas se move automaticamente para pontos de interesse caso o jogador opte por clicar neles. É descomplicado e ágil, embora seja sim preciso se acostumar com os ângulos fixos de câmera que podem te confundir um pouco - isso é problema raso porque o jogo não te pede para agir com pressa fora de momentos de combate e perseguição, e estes são mais estritamente conduzidos. A Telltale se baseou em Heavy Rain, inclusive, para criá-los: estes momentos são ditados por botões que devem ser apertados nos momentos certos.

Escolha em The Wolf Among Us vem de duas possíveis situações: como em The Walking Dead, opções de diálogo podem moldar as relações entre personagens. Bigby também precisa selecionar prioridades, que rastros seguir primeiro, e o resultado de um destes dilemas é surpreendentemente impactante mesmo que não signifique algo fatal na história. É justamente esta capacidade do estúdio em manter uma história consistente e bem amarrada que faz deste episódio tão bom.

Desde a primeira briga que o jogador compra como Bigby at? o surpreendente desfecho que serve de fio condutor para o resto da temporada, tudo ? apresentado de forma clara, organizada e interessante.

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Epis?dio 2: Smoke & Mirrors

Uma nova - e macabra - pista coloca a investigação de Bigby fora dos trilhos no segundo capítulo de The Wolf Among Us. É um gancho também para uma parte menos interessante da saga do lobo mau: diferente de Faith, aqui todo o combate parece servir mais como uma desculpa para enfiar um pouco de ação do que para construir melhor os personagens, e, depois de um desafio de raciocínio dolorosamente óbvio e uma conclusão meio tirada da cartola, é difícil não ficar um pouco desanimado com o andamento do mistério quando terminada a partida.

Dito isto, entretanto, o grande trunfo na manga de Smoke & Mirrors é que boa parte da trama trafega pelos subúrbios do Harlem, onde ex-fábulas incapazes de arcar com os gastos de se morar em Fabletown têm que se virar com uma vida bem mais real - e cruel - do que se imaginaria. Do gigante Grendel à Pequena Sereia, todos os personagens fantásticos que habitam o "núcleo pobre" de The Wolf Among Us são intrigantes. Se por um lado a investigação parece perder gás aqui, as míticas vítimas e potenciais vilões podem continuar a manter o interesse do jogador.

Finalmente, vale salientar que repercurssões de escolhas tomadas no primeiro episódio aparecem aqui, embora pareçam perder um pouco do valor depois da primeira hora. É esperar para ver como a Telltale vai amarrar os nós da trama nos próximos capítulos.

Se por um lado a investiga??o parece perder g?s aqui, as m?ticas v?timas e potenciais vil?es podem continuar a manter o interesse do jogador.

Epis?dio 3: A Crooked Mile

A investigação toma uma nova guinada no terceiro episódio, e, com ela, a trama engatilhada no capítulo anterior volta aos eixos. É uma história muito bem conduzida, que amarra bem os nós antes de apresentar Bigby a um perigo bem maior do que o imaginado. O episódio é cheio de ação , e há até uma brilhante piada com o jeito da Telltale criar jogos, mas o que mais funciona no episódio é outra coisa: a Branca de Neve.

Enquanto Bigby coloca os pingos nos "is", a Telltale consegue reforçar a relação dele com a ex-princesa, e explorar um bocado da personagem. Além das extremas consequências das escolhas deste episódio em particular, é o conflito de Branca em tomar uma posição de liderança que afeta todos os ex-fábulas e conviver com um horrível segredo o maior motor de A Crooked Mile. E ao contar essa trama pessoal, o jogo aproveita muitos momentos para desafiar o jogador a tomar posições que a ajudem ou que possam atrapalhá-la e, no processo, são convidados a repensar qual o real papel do Grande Lobo Mau. É bem inteligente.

Há poucos lugares e pessoas novas neste episódio - embora o Papa-moscas seja sempre uma presença adoravelmente bizarra. O final extremamente bem executado, entretanto, garante um novo fôlego para a história.

Al?m das extremas consequ?ncias das escolhas deste epis?dio em particular, ? o conflito de Branca de Neve o maior motor do epis?dio

Epis?dio 4: In Sheep's Clothing

Segundo consta no sempre divertido gráfico online que pipoca no fim de cada episódio, apenas eu e 41,8% dos jogadores de The Wolf Among Us decidiram sentar e conversar com o grande vilão da história - a minha segunda decisão menos popular, logo atrás de mandar um amigo fábula para o exílio da Fazenda. É um sinal: o quarto episódio prepara com tudo o fechamento da história, elencando profundas revelações e temperando-as com boas cenas de ação. Não à toa, este me pareceu o capítulo mais curto de todos.

Há bastante pancadaria no quarto episódio da série, mas revelações pipocam a todo momento, trazendo para mais perto de Bigby a real natureza do problema. Mas, se você quiser, ainda dá para sentar e conversar com o vilão, o que também pontua outro ponto favorável do episódio: a Telltale emenda um conto em que os malvados não agem como nos contos de fada. O grande adversário da vez é na verdade um mau necessário, uma ponte entre os fábulas vivendo às margens de Fabletown e uma vida com um mínimo de dignidade - não importa quais sejam as consequências.

O quarto episódio da temporada toma carona no ritmo do anterior e nos faz bem ansiosos para a conclusão da trama.

H? bastante pancadaria no quarto epis?dio, mas revela??es pipocam a todo momento.

Epis?dio 5: Cry Wolf

É hora de lavar roupa suja. E, uau, este é o episódio mais violento da temporada toda. Bigby não apenas resolve uma briga que está para ser terminada desde o terceiro episódio, mas a trama por trás dos assassinatos apresenta motivos e consequências um tanto inquietantes. É o fim de um arco explosivo e instigante, e ver todas as peças se encaixando é bem legal.

Mas se algo fica claro com este último episódio, é que as suas escolhas em The Wolf Among Us não carregam muito peso para a história - muitas delas sequer chegam a alterar muito do enredo. Ao invés disso, a Telltale apostou em trazer bons personagens e usar as múltiplas opções de diálogo e ação para dar ao jogador a chance de interpretá-los - a grosso modo, é menos sobre ser o diretor e mais sobre interpretar um papel. Nada é mais indicativo disto do que a cena do julgamento: ela acaba sendo resolvida uma hora ou outra por forças maiores que Bigby, mas há uns bons minutos dedicados a fazer o Lobão confrontar o vilão e tentar ganhar apoio dos fábulas no meio tempo, usando nada além de palavras. O resultado final é um pouco plástico, mas foi um dos meus momentos favoritos da temporada.

A conclusão mesmo, por outro lado, foi o ponto negativo deste season finale, simplesmente porque ela não existe. Há uma cena entre Bigby e Nerissa lá para o final que termina em um enorme empurrão para uma segunda futura temporada, algo que, em momento algum, é sugerido. Ela faz sentido tanto para o universo de Fábulas quanto para a mensagem que o jogo quer passar - não há saídas fáceis nem finais felizes - mas tirar do jogador a satisfação de ter concluído uma história é pedir um pouco demais.

A conclus?o mesmo, por outro lado, foi o ponto negativo deste season finale, simplesmente porque ela n?o existe.

Veredicto

Não se deixe enganar com os visuais mais simples e os personagens que andam como manequins: em The Wolf Among Us, a Telltale continua a fazer Heavy Rain melhor que Heavy Rain. A começar por uma excelente história: a investigação de Bigby revela não apenas mocinhos e bandidos presos entre o bem e o mal, mas um universo instigante e terrível, habitado por personagens complexos e pelos quais é difícil não se importar - até o Papa-moscas, que aparece tão pouco, me arrancou sorrisos. Tudo é muito bem conduzido, com exceção do final meio não resolvido e uma freada no segundo episódio, que realmente machucam a trama. O fato de  suas escolhas influenciarem pouco também é lamentável, embora compreensível se levado em conta a quantidade de personagens já muito bem definidos nos quadrinhos que protagonizam o game. Mas o que a Telltale faz para remediar isto, levando o jogador a entender seu papel junto com estes personagens, ainda é digno de aplausos.

*Não deixe de ler nossa política de review

8 .5
PONTOS FORTES
  • Mist?rio instigante
  • Excelente dire??o de arte
  • A ideia de "atuar" o personagem ? interessante
PONTOS FRACOS
  • O segundo epis?dio deixa a peteca cair
  • As pontas soltas no final podem frustrar